Subprime: com crise no mercado imobiliário, será que pode sobrar para o Brasil?

A renda variável tem sofrido as conseqüências; segundo Mantega, Brasil está em posição sólida e tem como se defender

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SÃO PAULO – Não é de hoje que a correção no mercado imobiliário norte-americano é motivo de preocupação para os investidores. No entanto, esta semana foi particularmente marcada por um assunto que tem sido recorrente entre os investidores: os impactos da inadimplência das hipotecas do segmento subprime sobre o mercado financeiro.

De uma forma geral, ninguém sabe ao certo até que ponto a crise no mercado imobiliário norte-americano pode estender seus efeitos a outros setores da economia americana e global, mas já é possível visualizar alguns desdobramentos, como quando, na última quinta-feira, um fundo Australiano suspendeu os regates de dois hedge funds a fim de evitar uma retirada em massa por causa dos prejuízos com papéis atrelados à hipotecas do segmento subprime.

Também mantém os mercados nervosos o receio de que as instituições financeiras adotem uma postura mais criteriosa na concessão de crédito, restringindo, por exemplo, o acesso a recursos que seriam utilizados em fusões e aquisições. Tudo isso, somado ao medo de a economia americana como um todo seja conduzida a uma desaceleração mais forte, pesa sobre os mercados.

Brasil mais forte

Entretanto, a despeito de todos os receios que pressiona a Bovespa e dá valor ao dólar, segundo Guido Mantega, ministro da Fazenda, a recente turbulência nos mercados financeiros não é motivo para tirar o sono dos brasileiros. Isso porque, atualmente, o Brasil tem um superávit em conta corrente no balanço de pagamentos e um desempenho positivo na conta de capitais.

Na opinião do ministro, os países que têm saldo negativo em conta corrente é que podem estar diante de problemas, porque precisarão captar recursos externos para equilibrar suas contas e, no momento, o capital não é tão abundante. Enfim, as tão elogiadas contas externas asseguram ao Brasil alguma tranqüilidade neste momento complicado para os mercados globais.

Tem que esperar

De fato, muito embora os fundamentos macroeconômicos coloquem a economia em uma situação bem menos frágil do que aquilo que se via em outros tempos, ainda não é possível assegurar que a correção no mercado imobiliário nos EUA não será mais dramática para a economia norte-americana, embora membros do Federal Reserve, inclusive Ben Bernanke, acreditem que seus efeitos se limitarão apenas ao mercado imobiliário do país .

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Ao passo que antes a percepção de muitos era de que o pior da crise do setor imobiliário já tinha passado, agora muitos já começam a considerar que o momento mais intenso da correção ainda está por vir.

Por ora, construtoras já registraram prejuízos, fundos já quebraram e ainda há o receio de que as empresas encontraram dificuldade de financiamento nos EUA. Agora, até que pontos estes elementos serão absorvidos sem maiores traumas, ainda não é possível dizer.