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SÃO PAULO – Os norte-americanos aproveitaram, o juro estava baixo e o preço das casas atrativo, o ambiente estava favorável para o endividamento, mas a situação mudou, o juro subiu e, logo ao lado, a inadimplência. O temor de que este fato conturbasse os mercados financeiros era debatido pelos analistas, mas, em junho, o temor saiu do plano teórico e visitou os mercados, as bolsas despencaram.
No final daquele mês, o banco de investimentos norte-americano Bear Stearns suspendeu o resgate de dois hedge funds que investem no mercado imobiliário norte-americano. Os problemas, contudo, não pararam por aí. Durante os dias que se seguiram e ao longo do mês de julho, investidores e agências de notícias ficaram em alerta para buscar novas notícias sobre o subprime. E elas vieram.
Novas notícias
Nesta sexta-feira, a American Home Mortgage Investment, décima maior empresa de varejo de empréstimos habitacionais dos EUA, depois de afirmar que está incapacitada de tomar empréstimos por meio de suas linhas bancárias e que busca maneiras de levantar dinheiro, incluindo a “liquidação ordenada de seus ativos”, traz mais más notícias para os investidores.
Além disso, o maior gestor de fundos mútuos da Alemanha, o Union Investment Asset Management Holding, anunciou a suspensão dos resgates de um fundo de investimentos lastreado em ações, depois que os clientes retiraram mais de US$ 130 milhões da carteira no último mês.
Também estão em foco os papéis da Network Appliance, cujas vendas e lucros ficaram abaixo do esperado depois que grandes clientes cortaram gastos.
Efeitos na economia real
Muito se fala sobre o subprime, mas qual será o tamanho dele no mercado imobiliário norte-americano? “Aproximadamente 17% do mercado hipotecário é classificado como subprime“, afirmou o Alfredo Coutino, da Moody’s Economy.com. Segundo ele, este porcentual corresponde a um total de US$ 2,5 trilhões.
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O real impacto do colapso de alguns fundos atrelados ao crédito de alto risco e das empresas que têm auferido perdas por investimentos com financiamento imobiliário na economia real ainda é incerto, mas o movimento recente dos mercados mostra claramente uma aversão ao risco.
“Não há dúvida de que a reavaliação do risco nos mercados financeiros tenha levado a uma expressiva queda nas ações e a um rally pelos títulos públicos, resultando em um grande salto nos spreads de crédito”, mostra análise diária do banco norte-americano JP Morgan.
“A suspeita de que a crise no setor imobiliário norte-americano afete o poder de compra do
consumidor do país e resulte em menor atividade econômica em outros setores aumentou a aversão a risco e investidores reduziram suas posições em ações”, afirma a Advisor Asset Management em relatório mensal.