Câmbio: crise do subprime tem força para levar dólar de volta para os R$ 2,00?

Para analistas, patamar pode ser alcançado no curto prazo, mas trajetória de queda da moeda continua depois da "tempestade"

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SÃO PAULO – A recente crise dos mercados internacionais causada pelos desdobramentos dos problemas com o mercado de crédito imobiliário de alto risco nos EUA, o subprime, interrompeu a trajetória de desvalorização do dólar neste ano.

Em 23 de julho, antes do auge da crise com o subprime, o dólar comercial fechou a sessão cotado a R$ 1,842. Na última sexta-feira (10), a moeda norte-americana encerrou vendida a R$ 1,951, o que representa uma forte alta de 5,9%. Apesar disso, no ano, a moeda já desvalorizou mais de 8%.

Até R$ 2,00? “Sem problema nenhum”

“A tendência principal ainda é de baixa, mas se a situação se deteriorar mais ainda lá fora, obviamente que ainda existe espaço para o dólar subir mais até R$ 2,00 sem problema nenhum”, avalia o analista de câmbio da corretora Liquidez, Mário Paiva.

Segundo ele, com a semana carregada de indicadores econômicos nos EUA, com o índice de preços ao produtor (PPI) e o índice de preços ao consumidor (CPI), “o mais provável é que ocorra ainda mais oscilação nos mercados”.

Paiva acredita que o noticiário do subprime ainda será determinante para um possível arrefecimento dos temores nos mercados. “Se os indicadores vierem ruins deverão ter um impacto muito maior do que se vierem positivos. A única coisa que vai ajudar o mercado a melhorar são as notícias com o subprime“.

Variação pontual

Para o economista e diretor executivo da NGO Corretora, Sidnei Moura Nehme, a forte desvalorização do real nos últimos dias deve ser encarada como um fator pontual.

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“No Brasil, entendemos que não há razões para exacerbações no preço do dólar, além de pontualíssimas e sem sustentabilidade, decorrentes dos fatores ‘psicológicos’ que irradiam da turbulência no mercado global”.

Avaliando a correlação entre o risco-país e a taxa de câmbio como estreita, o analista Leonardo Miceli da Tendências Consultoria acredita que a trajetória de apreciação da taxa de câmbio deve se sustentar.

“No campo doméstico, ainda há espaço para reduções do risco-país. Somente em cenários de estresse é que consideramos uma trajetória ascendente para o risco-país no curto prazo”, afirma Miceli em relatório.

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Fundamentos de pano de fundo

Segundo ele, os fundamentos da economia brasileira como os elevados saldos comerciais e a reserva cambial, que chega a US$ 156 bilhões, devem ajudar a garantir mais depreciação do dólar. Miceli projeta que a taxa de câmbio pode chegar a R$ 1,85 no final deste ano e R$ 1,70 em 2008.

Para Nehme, da NGO, outro ponto que confirma que o “pânico” no Brasil não é efetivo está expresso na nova projeção do mercado para a taxa de câmbio no final do ano, que caiu de R$ 1,87 para R$ 1,85, segundo revela o relatório Focus publicado nesta segunda-feira pelo Banco Central.