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SÃO PAULO – Reagindo aos problemas de crédito derivados da crise do subprime, o Banco Central dos EUA anunciou, na última sexta-feira (17), uma redução de 50 pontos-base na taxa de redesconto norte-americana, que agora está em 5,75% ao ano.
As interpretações dessa medida não encontraram consenso no mercado. Alguns avaliaram-na como irrelevante; outros viram-na como um indício de que o corte realmente importante, na taxa básica de juro, está próximo.
Ponderando entre os diversos pontos de vista, muitos investidores não conseguiram tomar partido por desconhecerem o conceito técnico por trás do fato. Afinal, qual a diferença entre a taxa de redesconto e a taxa básica?
Redesconto
A taxa de redesconto serve de referência para que bancos comerciais ou outras instituições financeiras qualificadas emprestem fundos de curto prazo diretamente do Federal Reserve Bank.
Esses fundos são processados através de um mecanismo conhecido como “janela de redesconto”, que tem o papel de uma válvula de segurança para aliviar pressões nos mercados de crédito tradicionais.
Em condições normais, os montantes captados via janela de redesconto não são relevantes quando comparados ao total de empréstimos, já que as taxas cobradas pelo Fed são relativamente elevadas.
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Taxa básica
A taxa básica de juro, ou Fed Funds Rate, serve de referência para que um banco comercial empreste ou capte recursos de outro banco comercial no overnight.
O Fomc (Federal Open Market Committee) fixa um alvo para essa taxa a cada reunião, no momento em 5,25% ao ano. Porém, o percentual efetivo, nunca muito distante do alvo, é determinado em mercado aberto.
Dada a correlação da Fed Funds Rate com o crédito ao consumidor e com a taxa de câmbio, ela é usada como uma ferramenta monetária capaz de controlar pressões inflacionárias.
Um sinal apropriado
A redução da taxa de redesconto produz um efeito mais simbólico que concreto. Ela mostra que o Fed está atento à crise atual e pode tomar decisões extraordinárias que se provem necessárias.
O corte anunciado também sugere que a taxa básica de juro dos EUA tende a ser flexibilizada na próxima reunião do Fomc, marcada para 18 de setembro. Trata-se, portanto, de uma mensagem discreta e que não compromete a disciplina das autoridades monetárias norte-americanas.