Eventual redução da taxa básica de juro dos EUA envolve risco moral

Maioria pede ação do Fed em prol da liquidez, mas o alívio a prejuízos agora pode incentivar nova postura arriscada

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SÃO PAULO – O chamado “risco moral” está presente toda vez que duas ou mais partes fazem um acordo. Cada um dos envolvidos fica tentado a violar as regras estabelecidas, visando maximizar seu bem-estar próprio.

Identificar a existência desse tipo de risco foi o primeiro passo para desenvolver formas de mitigá-lo. Impor responsabilidades aos agentes e puni-los em caso de conduta irregular, por exemplo.

É um conceito fundamental dentro das Ciências Econômicas, mas parece estar em segundo plano no momento. Logo atrás das reivindicações em prol do corte da taxa básica de juro norte-americana, pelo bem da liquidez dos mercados.

Apresentando o problema

Segundo a regra elementar das Finanças, aplicações arriscadas rendem retorno maior exatamente porque dão margem também a perdas maiores. Se um investidor prefere a melhor rentabilidade, deve saber arcar com os riscos implícitos.

Desafiando suas restrições orçamentárias, consumidores procuraram empresas financiadoras de hipotecas de alto risco, que venderam títulos a fundos de investimento interessados na alta rentabilidade oferecida.

Especuladores de todo o tipo também se beneficiaram da bolha imobiliária norte-americana, postergando dia após dia o alerta de que toda valorização pretensamente contínua na verdade aguarda seu ponto de saturação.

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Agora as perdas estão se concretizando, como punição a uma postura indisciplinada ao assumir obrigações e optar por posições alavancadas. Agora, é responsabilidade do Federal Reserve amenizar o problema mediante queda da taxa de juro.

Punição levada a sério?

Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, está entre os que admitem contradições na relação entre o Fed e aqueles que desafiaram riscos. “Tomar uma postura que ajuda o mercado pode resultar em problemas, pode incentivar as pessoas a voltar a assumir posições de risco exageradas”.

É o que pensa também Alexandre Ludolf, economista da Paraty Investimentos. De acordo com ele, “se os agentes sabem que o Fed virá salvá-los, a ameaça de punição torna-se vazia”.

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Nada de paternalismo

Para André Mello, analista da TOV Corretora, as intervenções do Banco Central dos EUA indicam que a instituição está “muito bem, atenta aos problemas”.

Ele argumenta que as turbulências correntes exigem uma medida mais significativa, tal qual a redução da Fed Funds Rate: “A atuação é sempre saudável em situações extremas”.

“O Fed não está sendo paternalista, de jeito nenhum”, afirma André Mello, exaltando a postura comedida das autoridades norte-americanas até o momento. Na visão do analista da TOV, “os que criticam a intervenção do Fed querem que o circo pegue fogo”.