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Ocupando manchetes de jornais do mundo todo, a atual turbulência financeira tem sua origem no chamado subprime, um segmento do mercado imobiliário norte-americano amparado em financiamentos mais arriscados. Você sabe exatamente o que isso significa?
O termo inglês vem da classificação atribuída a emprestadores cujas declarações financeiras e históricos de crédito não garantem o status prime. Mas ultrapassa esse sentido, graças às repercussões generalizadas, reações em cadeia. Parece complicado? Vamos à explicação!
Diferenciando as hipotecas
O financiamento por meio de hipotecas é prática comum em mercados imobiliários maduros, como o norte-americano. Instituições financeiras oferecem empréstimos de longo prazo para o comprador, usando o próprio imóvel adquirido como lastro (garantia).
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Para acessar as linhas de financiamento, o comprador apresenta declarações de renda, histórico de crédito e outras garantias de pagamento dos juros e amortização. A partir do perfil traçado, ele recebe o status de prime ou subprime.
A principal diferença entre as classificações está no prêmio de risco. Hipotecas associadas ao subprime buscam compensar a chance de inadimplência através de taxas de juro maiores que as determinadas para o segmento prime.
O crescimento do subprime
Em sua fase inicial, a separação dos emprestadores em duas classes obedecia padrões rigorosos. No entanto, com o rápido avanço do mercado imobiliário nos EUA, muitas instituições focaram na rentabilidade elevada e amenizaram os critérios para a concessão de financiamento.
Com o tempo, a menor demanda por casas novas, reflexo de um início de saturação do mercado, também incentivou a popularização do subprime. Em conseqüência, o segmento passou a responder por aproximadamente 25% das hipotecas.
De onde vêm os recursos?
Boa parte das empresas que fornecem linhas de financiamento imobiliário obtém os respectivos recursos por meio do mercado de capitais. Elas recorrem a bancos de investimentos, que criam títulos hipotecários baseados em um processo de securitização e ofertam-nos a investidores institucionais.
Por conta do dinamismo do sistema financeiro, esses títulos experimentaram forte crescimento nos últimos anos. Muitos aplicadores sentiram-se atraídos pela rentabilidade atrelada aos empréstimos imobiliários do subprime, com taxas de juro mais altas.
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O papel dos hedge funds
Entre os que apostaram nos títulos hipotecários de alto risco, ênfase para os hedge funds, fundos com mais liberdade para ponderar entre diversas decisões de investimento interessantes.
Alguns hedge funds atrelaram parcela significativa de sua performance ao sucesso do segmento subprime, construindo posições dependentes de crédito arriscado. Tal postura rendeu boa remuneração aos cotistas, mas se provou indisciplinada quando os problemas com o subprime começaram a aparecer.
Uma crise em cadeia
A primeira evidência de dificuldades foi dada pela Mortgage Bankers Association. A instituição que monitora as hipotecas nos EUA passou a divulgar regularmente o crescimento nas taxas de inadimplência para empréstimos classificados como subprime.
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Confirmando o cenário negativo, importantes empresas de financiamento imobiliário anunciaram suspensão parcial ou total de operações. Como exemplo, a American Home Mortgage, décima maior concessora de hipotecas nos EUA, foi obrigada a recorrer à recuperação judicial.
Grandes bancos de investimento mundiais – como o suíço UBS, o alemão Deutsche Bank e o francês BNP Paribas – revelaram prejuízos em aplicações dependentes do subprime. Por fim, alguns hedge funds foram congelados, bloqueando resgates por parte dos cotistas.
Repercussão generalizada
A crise do subprime é exemplar para ilustrar a idéia de que problemas aparentemente restritos a um segmento específico podem afetar toda a economia mundial. Isso ocorre devido à vinculação de fatores imposta pelo desenvolvimento dos instrumentos financeiros.
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Potencializada pelo grau de complexidade do sistema, uma crise pontual acaba espalhando muitas incertezas. Como ninguém ainda sabe mensurar os efeitos da reação em cadeia despertada pelas inadimplências em empréstimos hipotecários, os investidores preferem adotar uma postura defensiva em mercados variados.
Queda nas bolsas de valores, rentabilidade negativa em renda fixa, pedidos de intervenção às autoridades monetárias, discursos do ministro da Fazenda, do presidente do Banco Central, do presidente da República. Antes em 25% das hipotecas dos EUA, o subprime está agora em todo lugar.