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SÃO PAULO – Em meados de agosto, quando a crise do segmento de crédito de alto risco dos EUA – o subprime – ganhou força e intensificou os danos causados aos mercados financeiros globais, analistas e investidores já se questionavam quanto à possibilidade das perdas sofridas pelo mercado imobiliário norte-americano se espraiar para os demais setores da economia.
Diante da incerteza, que persiste frente à escassez de informações mais completas acerca do real impacto sobre a economia, o mercado assistiu a um intenso movimento de flight to quality enquanto os formuladores de política monetária dos EUA se posicionavam contra uma intervenção mais direta na economia do país, posição esta que, a julgar pelas declarações de membros do Federal Reserve, parece estar prestes a mudar.
Mishkin reforça aumento do risco
Depois de Janet Yellen e Dennis P. Lockhart, ambos membros do Fed, declararem que os riscos de pressão negativa do subprime sobre a economia norte-americana aumentaram, foi a vez de Frederic Mishkin, diretor do Banco Central norte-americano, alertar para a possibilidade das turbulências recentes se alastrarem para a economia real.
Mishkin afirmou que o desaquecimento do mercado imobiliário associado a maiores dificuldades de acesso ao crédito ameaça os gastos dos norte-americanos, mas completou que a autoridade monetária “atuará conforme a necessidade”.
A percepção de Mishkin, que deu maior atenção aos riscos do que os demais membros do Fed, é de que outros setores da atividade econômica dos EUA podem ser afetados com mais intensidade, fato que poderia aumentar ainda mais as incertezas e restringir de forma mais ampla os gastos de cidadãos e empresas.
Este cenário não pode, de acordo com Mishkin, ser descartado, uma vez que “apresenta um risco negativo importante para a atividade econômica.”
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Espera pela reunião do Fed
A expressão de que o Fed “atuará conforme a necessidade” (tradução livre para “act as needed“) tem sido repetida com freqüência e fomenta as expectativas acerca de sua próxima reunião, marcada para o dia 18 de setembro.
Por vezes, Bernanke, presidente do Federal Reserve, esclareceu que a autoridade monetária norte-americana apenas irá interferir na crise quando esta, de fato, prejudicar a atividade econômica do país e causar danos à economia. Todavia, também passou a dizer com certa freqüência que os riscos para que tal cenário se materializem aumentaram substancialmente.
Exceto pelo Nonfarm Payrolls de agosto, estes danos, porém, ainda não têm se refletido de maneira significativa nos indicadores referentes à atividade econômica norte-americana, mas a curva de juros futuros nos EUA projeta com 100% de probabilidade o corte da taxa básica de juro norte-americana no próximo encontro do Fed.
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Até o dia 18 de setembro importantes indicadores econômicos (tais como vendas no varejo e produção industrial) permitirão avaliar com maior (mas ainda incompleta) precisão a extensão dos danos causados pelo subprime à economia dos EUA em agosto (período, até então, mais turbulento). Enquanto isso as apostas seguem fortes, sobretudo após os dados do Relatório de Emprego, de que o Fed não pagará pra ver os desdobramentos da crise do subprime na maior economia do mundo.