Crise atual guarda semelhanças e diferenças com choques anteriores

Economistas comparam crise do subprime com turbulências do passado e dizem o que fazer para amenizar problema

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SÃO PAULO – O debate em torno da repetição de padrões históricos é tema recorrente no estudo de Finanças. Sobram adeptos à idéia de preços se movendo conforme a mesma trajetória observada em determinado momento do passado.

A discussão voltou à tona desde a eclosão da crise do subprime, com economistas fazendo analogias da atual situação com turbulências da década de 90 e do início dos anos 2000.

Na terça-feira (11), por exemplo, o secretário do Tesouro norte-americano Henry Paulson afirmou que a perda de confiança nos mercados de crédito terá uma duração provavelmente superior aos choques financeiros das últimas duas décadas.

Como várias outras?

Em paper publicado recentemente, Affonso Celso Pastore e Maria Cristina Pinotti discutem a relação dos problemas originados pelo subprime com outras crises financeiras.

Para tanto, os economistas lembram primeiramente do mecanismo de contágio para outros mercados da inadimplência no crédito imobiliário de segunda linha nos EUA. A necessidade de “fazer caixa” por parte das instituições financeiras repercute em outros ramos, como o mercado acionário.

Justamente neste aspecto, a crise atual guarda semelhanças com outras que atingiram os mercados de ativos e os países emergentes, destacam Pastore e Pinotti.

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Entre essas outras, os autores listam: a crise mexicana em 1995, a do sudeste asiático em 1997, a da Rússia em 1998, o ataque especulativo no Brasil em 1999, a moratória de Argentina em 2001, e a desconfiança sobre o futuro governo brasileiro em 2002.

As diferenças

Em contrapartida, outras considerações afastam a atual turbulência dos choques anteriores. De início, Pastore e Pinotti salientam que o problema corrente tem origem no centro do sistema econômico, e não na periferia, conforme os movimentos passados.

Ademais, a crise atual, embora apresente proporções expressivas dentro do sistema financeiro, vem afetando pouco a macroeconomia das nações emergentes e particularmente o Brasil.

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Para completar o rol de diferenças frente às agitações anteriores, os países emergentes, agora, não dispõem de medidas a serem tomadas para amenizar o choque – a não ser a óbvia manutenção do esforço em prol do equilíbrio em termos de política fiscal e monetária.

A solução

Diante de tais semelhanças e divergências, onde está a solução para o problema?

Para Pastore e Pinotti, o caminho para períodos de menor volatilidade nas bolsas apóia-se exclusivamente na responsabilidade dos bancos centrais das nações desenvolvidas em prover liquidez e nas mãos dos supervisores bancários nacionais e dos reguladores dos mercados de ativos.

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Estes devem induzir um aumento da prudência e elevar a eficácia da supervisão bancária.