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SÃO PAULO – Os economistas e analistas de mercado, surpreendidos pela decisão inesperada do Banco Central norte-americano (Federal Reserve) de cortar a taxa básica de juro no país em 0,5 ponto percentual, revisam suas estimativas para o futuro da política monetária.
O corte da reunião da última terça-feira (18) foi o primeiro desde junho de 2003, quando a taxa caiu de 1,25% para 1% ao ano. Além disso, a última vez em que a autoridade monetária reduziu a taxa em 0,5 ponto percentual foi em novembro de 2002, quando esta foi reduzida de 1,75% para o patamar de 1,25% ao ano.
Antes da abordagem das projeções para os próximos movimentos da autoridade monetária, primeiro é preciso tentar compreender o motivo que levou o Fed a um corte acima do esperado.
Prevenindo o pior
Nos últimos dois meses, a discussão acerca dos desdobramentos da crise das hipotecas de alto risco (subprime) na economia, dominou o mercado. Aos poucos, dados e notícias corporativos começaram a demonstrar a força do problema.
Empresas e fundos hedge de todo o mundo começaram a reportar expressivas perdas durante julho e agosto, mês em que o Relatório de Emprego indicou a perda de 4 mil postos de trabalho, primeiro recuo em quatro anos, elevou as apostas de um afrouxo monetário.
O risco de recessão crescia. Para os analistas do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, o trecho do comunicado do Fed (em destaque) pretende deixar “clara sua ação preventiva”.
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| Trecho do comunicado do Federal Reserve |
| “(…) a ação de hoje tem como objetivo ajudar a conter parte do efeito adverso sobre a economia como um todo que poderia do contrário ocorrer por conta dos problemas dos mercados financeiros e promover um crescimento moderado ao longo do tempo”. |
A mesma avaliação é feita pelos analistas da LCA Consultores: “(…) entendemos que a redação do comunicado teve o objetivo de sugerir que a ação do Fed foi preventiva”.
Mais corte em outubro?
Apesar de citar o aumento dos riscos em relação à economia, a autoridade monetária reiterou as preocupações com a inflação, que ainda permanece acima do patamar considerado confortável.
“(…) a existência ainda de preocupações com a inflação deixa claro que a redução dos juros decorre exclusivamente da deterioração das perspectivas para o crescimento da economia”, diz o Bradesco em análise.
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Para o banco de investimentos norte-americano Merrill Lynch, a manutenção do trecho do comunicado em que o Fed revela preocupação com a inflação, deve ser lido como um aviso de que ainda não está certa mais uma redução da taxa de juro.
Ou seja, Ben Bernanke só deve cortar ainda mais o juro se a economia mostrar novos sinais de enfraquecimento, avalia o banco. A expectativa da LCA e do Bradesco é de que o Fed ainda pode cortar o juro do país.
Em relatório publicado nesta manhã, o banco UBS projeta mais dois cortes de 25 pontos-base na taxa de juro do país nas duas próximas reuniões do Fed neste ano. “O piso para a Fed Funds Rate ainda é visto em 4,25%”. As apostas estão abertas.