O que fica mais caro com o dólar em alta?

Quase todos os itens da cesta básica e de consumo ficam mais caros com a alta do dólar, confira

Camille Bocanegra IA InfoMoney

Dólares e moedas estrangeiras (Imagem gerada com auxílio IA/Leonardo Albertino
Dólares e moedas estrangeiras (Imagem gerada com auxílio IA/Leonardo Albertino

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A alta do dólar é um fenômeno que reverbera em praticamente todos os setores da economia brasileira, afetando diretamente o custo de vida da população. Mas afinal, o que exatamente fica mais caro quando a moeda americana se valoriza frente ao real?

Para responder a essa pergunta, o InfoMoney especialistas que detalham os principais produtos e serviços impactados pela alta cambial.

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Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital, destaca que a economia brasileira está muito mais dolarizada do que se imagina.

“Nossa economia cotidiana está muito mais dolarizada do que imaginamos, seja em commodities que consumimos no dia a dia, seja nos elementos que compõem ferramentas que utilizamos no dia a dia”, explica Barros. Isso significa que a alta do dólar afeta desde matérias-primas básicas até componentes tecnológicos presentes em produtos comuns.

Luis Garcia, diretor de investimentos da SulAmérica Investimentos, complementa que diversos bens de consumo têm componentes importados, o que eleva seus preços quando o dólar sobe. “Produtos industriais como celulares, televisões, máquinas de lavar, carros, e até alimentos como pães e peixes, como o salmão, ficam mais caros”, afirma.

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Serviços não são atingidos

Além disso, Garcia ressalta que mesmo produtos que o Brasil exporta, como café, laranja, carne e óleo de soja, podem ter seus preços elevados, pois os produtores buscam maior retorno no mercado internacional.

Essa dinâmica faz com que quase todos os itens da cesta básica e de consumo fiquem mais caros com a alta do dólar. No entanto, há exceções importantes. Segundo Garcia, os preços de serviços, como corte de cabelo, consultas médicas e despachantes, não costumam reagir diretamente à variação cambial.

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“Esses serviços ou não reagem ou reagem de forma bem mais lenta a uma alta do dólar, normalmente de forma indireta”, explica. Para que esses preços subam, o dólar precisa permanecer alto por um período prolongado.

Até energia elétrica pode ser afetada

O economista e sócio da Dom Investimentos, Thiago Calestine, reforça que praticamente tudo sobe com o dólar em alta. “Mais fácil pensar no que fica mais barato com o dólar em alta, praticamente tudo sobe, e quando digo tudo, é tudo”, afirma. Ele cita exemplos como computadores, passagens aéreas, compras no supermercado, combustíveis e bens industrializados, que sofrem impacto direto da valorização da moeda americana.

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Calestine também destaca que até a energia elétrica pode ficar mais cara dependendo da matriz energética utilizada no país. Isso porque parte da geração de energia depende de insumos importados ou contratos atrelados ao dólar, o que pode refletir em reajustes nas tarifas para o consumidor final.

A alta do dólar, portanto, tem um efeito cascata que atinge desde os produtos mais básicos até os bens duráveis e serviços essenciais. Essa pressão sobre os preços contribui para o aumento da inflação e reduz o poder de compra das famílias brasileiras, especialmente aquelas com menor renda.

A valorização do dólar impacta quase todos os aspectos do consumo no Brasil, tornando a vida cotidiana mais cara para a maioria da população. Entender esses efeitos é fundamental para que consumidores, empresas e formuladores de políticas possam se preparar e buscar estratégias para mitigar os impactos dessa oscilação cambial.

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