Grifo e Novus projetam Fortaleza como a nova “Faria Lima” do crédito

Nova parceria combina expertise em crédito e renda fixa, mirando expansão e inovação no mercado financeiro.

Osni Alves

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O mercado de crédito brasileiro acaba de ganhar um reforço emblemático: a união entre a Grifo Asset, gestora cearense com quase dez anos de atuação no segmento, e a Novus Capital, casa fundada por Luiz Eduardo Portella, que se destaca em multimercados e renda fixa.

O acordo, que nasceu de conversas iniciadas há dois anos, consolida um fundo híbrido que mistura crédito com renda fixa incentivada, e marca a chegada da chamada “Faria Lima de Fortaleza”. Rafael Gama, sócio da Grifo, destacou que a gestora nasceu em 2015 no Ceará, com foco em FIDCs multicedente e multisacado voltados ao middle market.

“O nosso DNA sempre foi o crédito, com uma análise investigativa que vai além dos balanços. Em 2021, decidimos profissionalizar esse braço e criamos a asset para gerir a liquidez dos sócios”, explicou. A estratégia foi ampliada em 2023 com o primeiro fundo de crédito high grade, o que abriu caminho para a aproximação com a Novus.

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Segundo Portella, a união era o passo natural para acompanhar o boom do crédito no Brasil. “Desde o início da Novus pensamos em várias caixinhas, como multimercado e renda fixa ativa. Mas faltava a de crédito. Conversamos com gestoras e clientes até chegarmos à Grifo. Encontramos um time jovem, preparado e com track record consistente. Casou perfeitamente com a nossa ideia de criar um produto híbrido”, afirmou.

O resultado foi um fundo de renda fixa com lastro em crédito, que completou um ano e consolidou a parceria entre as casas. Além disso, a estrutura abre espaço para expansão em várias verticais, inclusive imobiliária, em uma clara tentativa de descentralizar a concentração de gestoras no eixo Rio-São Paulo.

Os sócios Rafael Gama e Luiz Eduardo Portella conversaram com o host Lucas Collazo no podcast Stock Pickers.

Mercado financeiro ganha polos fora do eixo tradicional

A história da Grifo chama a atenção por ter nascido em Fortaleza e não em São Paulo ou no Rio de Janeiro, regiões que concentram a maior parte do mercado financeiro brasileiro. Gama lembrou que, apesar da distância, o Ceará sempre foi um polo de talentos.

“Muitos alunos do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) vêm de escolas cearenses. A gente perdia esses profissionais para a Faria Lima, mas conseguimos reter parte deles ao criar a primeira e única gestora de fundos abertos do estado”

— Rafael Gama, sócio da Grifo

O sócio da Grifo destacou que o perfil familiar e o desejo de permanecer no Nordeste foram decisivos para atrair talentos. “O custo de deixar família e amigos em troca de São Paulo é alto. Quando abrimos a gestora, conseguimos oferecer um projeto que unia carreira e qualidade de vida perto da praia”, completou.

Para Collazo, a parceria representa uma descentralização simbólica. “É um alívio ver o mercado financeiro escorregando pelo Brasil, saindo do eixo Rio-São Paulo e se espalhando por outras regiões”, observou o host.

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A lógica por trás da união

Portella contou que a Novus avaliou criar uma equipe de crédito do zero, mas optou pela associação. “Faria mais sentido unir forças com quem já tinha experiência e estrutura. A Grifo trazia exatamente o que procurávamos”, explicou.

O movimento se consolidou com visitas frequentes de equipes entre São Paulo e Fortaleza, o que gerou integração total dos times.

Além da complementaridade de competências, a parceria fortalece a oferta para investidores. “Hoje temos um produto híbrido rodando, um track record robusto e presença regional. Isso abre portas para alcançar investidores do Nordeste e ampliar nossa base”, afirmou Gama.

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Os dois ressaltaram que o projeto vai muito além de um fundo. “Estamos criando uma plataforma capaz de se expandir em várias direções, com produtos híbridos e novas verticais de crescimento”, disse Portella.

“Estamos criando uma plataforma capaz de se expandir em várias direções, com produtos híbridos e novas verticais de crescimento”

— Luiz Eduardo Portella, sócio da Novus

A expectativa é de que a aliança ajude a consolidar Fortaleza como um polo emergente do mercado financeiro brasileiro, com potencial de atrair novos investimentos e talentos locais.