SÃO PAULO – O Brasil está a apenas um passo do Investment Grade, melhor nível de classificação de risco de dívida que um país pode receber e, quando atingido, deverá impulsionar ainda mais o fluxo de capitais em direção aos mercados financeiros do país. Porém, a despeito das melhorias, o Brasil ainda não atingiu todos os critérios de seleção das principais agências de classificação de riscos do mundo para receber o tão sonhado Grau de Investimento.
Ainda que a inflação realizada e esperada esteja (ao menos aparentemente) sob controle, as reservas internacionais em níveis elevados, a taxa de câmbio relativamente apreciada e com perspectivas de manutenção deste patamar, o risco-país em níveis historicamente reduzidos, refletindo menor percepção de risco dos agentes de mercado em relação à economia brasileira, e o balanço de pagamento com saldo predominantemente positivo, estão não são os únicos critérios avaliados pelas agências, motivo pelo qual pode fazer o país esperar um pouco mais para a obtenção do Investment Grade.
Por trás da classificação de risco
A Standard&Poors, uma das maiores agências de classificação de risco do mundo, analisa dez categorias para classificar o risco de default da dívida de um país, e atribui notas a cada uma das categorias avaliadas. No entanto, não existe uma fórmula exata e, como as variáveis avaliadas são inter-relacionadas, os pesos atribuídos não são fixos, nem entre diversos governos soberanos, nem ao longo do tempo, explica a S&P.
Continua depois da publicidade
A maioria das categorias incorpora tanto os riscos econômicos quanto os políticos, os quais, segundo a agência, são os principais determinantes do risco de crédito. Para entender um pouco mais sobre os critérios de classificação da agência, conheça as dez categorias avaliadas pelos analistas da S&P:
Risco Político: a agência avalia a estabilidade e a legitimidade das instituições políticas do país, a participação popular nos processos políticos, a transparência nas decisões e objetivos de política econômica, a segurança pública, a integridade da sucessão das lideranças e o risco político.
Renda e Estrutura Econômica: refere-se à prosperidade e o grau pelo qual uma economia é orientada para o mercado, as disparidades na distribuição da renda, a efetividade do setor financeiro na disponibilidade de crédito, a competitividade e rentabilidade do setor privado não financeiro, a eficiência do setor público, protecionismo e flexibilidade da mão-de-obra.
Perspectivas de crescimento econômico: envolve a avaliação do volume e composição da poupança e investimento do país, associado à taxa e padrão do crescimento econômico.
Flexibilidade Fiscal: trata-se da avaliação da receita e despesa do governo geral e tendências de déficit ou superávit, da flexibilidade de aumento da receita e sua eficácia, a eficiência das pressões sobre os gastos, pontualidade, abrangência e transparência dos relatórios e obrigações relativas à aposentadoria.
Carga da Dívida do Governo Geral: constitui-se na análise do endividamento bruto e líquido de ativos do governo geral como porcentagem do PIB, da parcela da receita comprometida com juros, da composição de cestas de moedas e perfil de vencimento e da profundidade e amplitude do mercado de capitais local.
Passivos Contingentes e no Exterior (“Off-Shore”): trata-se do porte e solidez das empresas não financeiras do setor público e robustez do setor financeiro.
Estabilidade Monetária : refere-se ao comportamento dos preços nos ciclos econômicos, expansão monetária e do crédito, compatibilidade do regime cambial com os objetivos monetários, fatores institucionais, como a independência do Banco Central e a abrangência e eficiência das ferramentas de política monetária.
Liquidez Externa: diz respeito ao impacto das políticas monetária e fiscal sobre as contas externas, estrutura das contas correntes, composição dos fluxos de capitais e adequação das reservas.
Carga do Endividamento Externo do Setor público: trata-se do endividamento externo bruto e líquido do setor público como porcentagem das receitas correntes, perfil de vencimentos, composição de cestas de moedas e sensibilidade a flutuações na taxa de juros, acesso a financiamentos concedidos por agências de desenvolvimento e carga do serviço da dívida.
Carga de Endividamento Externo do Setor Privado: avalia o endividamento externo bruto e líquido do setor privado e do setor privado não financeiro como porcentagem das receitas correntes, perfil de vencimentos, composição de cestas de moedas e sensibilidade a flutuações na taxa de juros, acesso a financiamentos concedidos por agências de desenvolvimento e carga do serviço da dívida.