“Traidor da Constituição é traidor da Pátria”, diz Alckmin em ato pela democracia

Vice-presidente afirma que bolsonaristas atuam contra os interesses do país e cobra vigilância diante da radicalização política e da pressão internacional

Agência O Globo

(Foto: Reprodução/YouTube/TV PUC)
(Foto: Reprodução/YouTube/TV PUC)

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O vice-presidente, Geraldo Alckmin, criticou nesta segunda-feira (15), em ato do movimento “Direitos Já!”, as tentativas de golpe e as ações que, segundo ele, buscam prejudicar o Brasil no exterior. O evento, que reuniu lideranças políticas, artistas e intelectuais, foi realizado no histórico Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (TUCA).

Alckmin fez uma defesa enfática do Estado Democrático de Direito e das instituições brasileiras. Refletindo sobre a gravidade dos ataques à democracia, o político declarou: “Imaginem, se perdendo a eleição, tentaram dar o golpe, imagine se tivessem ganho a eleição”.

“E o pior, mesmo fora do governo, continuam trabalhando contra o interesse do povo brasileiro lá fora, espalhando fake news para prejudicar o emprego e prejudicar as empresas do Brasil. Não pode haver delito maior para o político do que trabalhar contra a democracia brasileira”, disse o vice-presidente em referência indireta ao deputado federal Eduardo Bolsonaro, que faz lobby nos Estados Unidos em busca de uma anistia irrestrita aos condenados pela trama golpista.

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A participação do vice-presidente aconteceu no evento que comemora o Dia Internacional da Democracia, que teve como tema central a defesa da soberania nacional. Em discurso de abertura, o Supremo Tribunal Federal (STF) foi ovacionado pela plateia presente.

Alckmin também elogiou a atuação do Poder Judiciário e reforçou a importância da separação dos poderes, conforme estabelecido na Constituição. Para concluir sua fala, o vice-presidente recorreu a uma célebre frase do Dr. Ulysses Guimarães: “Traidor da Constituição é traidor da Pátria”.

A escolha do Teatro da PUC (TUCA) para sediar o evento é carregada de simbolismo. Inaugurado em 1965, o espaço tornou-se um marco cultural e, principalmente, um foco de resistência política durante a ditadura militar no Brasil. Ao abrigar intensas manifestações de universitários e da sociedade civil, o TUCA consolidou-se na memória coletiva como um palco fundamental no processo de redemocratização do país.

Reforçando a mensagem de vigilância, a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participou do evento por vídeo e relembrou a dura conquista da democracia após 21 anos de ditadura militar. Ela destacou que nunca imaginou que o Estado Democrático de Direito “pudesse mais uma vez estar sob a linha de um grupo golpista”, referindo-se aos acontecimentos que culminaram nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

“Ainda vivemos tempos de extrema radicalização, com o uso sistemático de fake news e tentativas de interferência externa que não víamos desde a Guerra Fria. Somente com uma democracia viva e fortalecida o Brasil poderá avançar para um novo ciclo de prosperidade com desenvolvimento sustentável”, defendeu a ministra.

O Ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, ressaltou que a defesa da democracia precisa ir além dos atos públicos, defendendo um “grande pacto” interno no Brasil e o engajamento do país em uma “aliança internacional” contra as forças antidemocráticas globais.

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O encontro ocorreu em um momento de alta tensão política, e teve como propósito uma reafirmação dos valores democráticos em um contexto marcado pela recente condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por sua participação na trama golpista.

Essa condenação, no entanto, transbordou para a arena internacional, provocando reações duras da Casa Branca e se tornando o estopim para a mais grave crise entre os dois países nos últimos anos. O mais recente abalo na relação bilateral foi a ameaça de novas sanções e um impasse na concessão de vistos para a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que viajará a Nova York para a Assembleia-Geral das Nações Unidas na próxima semana.

Em entrevista à rede Fox News nesta segunda-feira, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, confirmou que haverá uma resposta dos EUA ao julgamento de Bolsonaro, com o anúncio de novas medidas punitivas na próxima semana.