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SÃO PAULO – Encerra-se na noite desta quarta-feira (6) a reunião de junho do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil. A grande maioria dos especialistas consultados pela InfoMoney avalia que a favorável evolução recente das principais variáveis econômicas internas e externas deverá levar o colegiado do BC a aumentar para 50 pontos-base o ritmo de redução da Selic, que, assim, passaria para 12% ao ano.
Segundo as projeções do último boletim Focus, o mercado parece concordar com esta hipótese. O comportamento recente das taxas dos contratos de juros futuros e o desempenho do segmento de renda variável brasileiro também apontam para essa direção.
A primeira de 2007
Caso confirmada, esta seria a primeira redução de 0,50 ponto percentual desde a última reunião de 2006, realizada em novembro do ano passado, mas a décima sexta redução consecutiva do juro básico desde novembro de 2005, quando o atual processo de flexibilização da política monetária do país foi iniciado.
No período, sem computar o resultado a ser anunciado na próxima sessão, a taxa Selic recuou de 19,75% para 12,5% ao ano, ou seja, queda de 7,25 pontos-percentuais.
Postura mais conservadora não está descartada
Mesmo concordando que os membros do Copom teriam grandes motivos para acelerar o ritmo de corte da taxa Selic, Arthur Carvalho, economista-chefe da Ativa Corretora, não descarta a possibilidade de uma postura mais conservadora ser adotada.
Na verdade, o especialista trabalha com a hipótese de corte de 25 pontos-base e destaca sua percepção de que muito provavelmente o Copom vai publicar nesta semana uma das decisões mais polêmicas desde que foi dado o início do processo de flexibilização em 2005. “O Copom ao acelerar novamente o corte de juros irá arriscar uma aceleração da atividade e uma parada mais rápida do processo de flexibilização da política monetária”.
A análise é de que um corte de 50 pontos-base seria a sinalização sobre novos cortes dessa magnitude nas próximas reuniões, o que poderia estimular ainda mais a economia e comprometer a extensão do atual ciclo de queda da taxa Selic. Na outra ponta, caso os membros visualizem espaço para apenas um corte dessa magnitude, seria mais prudente não implementá-lo para não ameaçar a credibilidade da autoridade monetária.
Mais importante do que o resultado serão as sinalizações
Neste contexto, a consultoria LCA aposta em corte de 50 pontos-base na taxa Selic, mas acredita que a decisão não será unânime. Os analistas também não esperam mudanças significativas no comunicado na reunião e apostam em expectativas dispersas sobre à velocidade de redução da Selic no segundo semestre.
Também sinalizando a percepção de que mais importante do que o resultado da reunião de junho serão as sinalizações, a equipe da HSBC Corretora classifica o anúncio da ata do encontro como um dos eventos mais importantes do mês de junho.
“O teor usado pelo BC no documento pode sinalizar ao mercado sobre quão ousados podem ser os próximos passos da autoridade monetária, e quanto mais clara for a indicação de que existe espaço para novos cortes de juros, melhor será o comportamento dos principais índices acionários”.