Ações da Klarna sobem 30% em estreia na bolsa de NY após IPO de US$ 1,37 bilhão

Oferta pública inicial reforça expansão da fintech para além do “compre agora, pague depois” e sinaliza aquecimento do mercado de IPOs nos EUA

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As ações da Klarna dispararam 30% na estreia em Nova York, após a empresa e alguns de seus investidores captarem US$ 1,37 bilhão em uma oferta pública inicial (IPO) que indica que o mercado para novas listagens ainda tem fôlego.

As ações abriram a US$ 52 cada, acima do preço de IPO de US$ 40, após uma venda inicial que deixou cerca de metade dos investidores interessados sem conseguir comprar papéis. A oferta, com demanda muito superior à oferta, foi precificada acima da faixa inicialmente divulgada.

A negociação atribui à empresa um valor de mercado próximo a US$ 20 bilhões, com base nas ações em circulação. Embora opções e warrants aumentem um pouco essa avaliação, trata-se de uma queda acentuada em relação aos US$ 45,6 bilhões registrados em 2021, no auge do boom do comércio eletrônico impulsionado pela pandemia de Covid-19.

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Uma rodada de financiamento privada no ano seguinte fez a avaliação despencar para US$ 6,7 bilhões, diante da combinação de inflação e juros mais altos que pressionaram modelos de negócios de fintechs no mundo todo, incluindo a posição da Klarna como provedora do chamado financiamento “compre agora, pague depois”.

Para o CEO da Klarna, Sebastian Siemiatkowski, o IPO consolida a evolução do negócio para além do “compre agora, pague depois”. A empresa, que ganhou destaque durante o crescimento do comércio eletrônico na pandemia, tem investido em outros produtos bancários, como contas de poupança, contas correntes e cartões de crédito.

“Os investidores finalmente fizeram poucas perguntas sobre o ‘compre agora, pague depois’, o que foi muito bom para mostrar a mensagem e o sucesso da Klarna”, disse Siemiatkowski em entrevista. “Não somos apenas ‘compre agora, pague depois’. Oferecemos todos os tipos de métodos de pagamento, cartão e vários serviços financeiros e bancários.”

Fundada em Estocolmo, a empresa tem ampliado sua oferta de “financiamento justo”, que permite aos clientes pagar itens de maior valor em prazos mais longos. Embora isso tenha impulsionado a receita líquida de juros, também impactou os resultados, pois a Klarna precisa provisionar perdas potenciais maiores para esses empréstimos de prazo estendido.

Atualmente, esses empréstimos representam cerca de 2% do total das transações da Klarna, segundo documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC). A empresa espera que essa fatia cresça, já que o número de comerciantes que oferecem o financiamento justo dobrou nos últimos dois anos.

A Klarna passou boa parte do último ano se preparando para a estreia na bolsa. No entanto, o processo foi interrompido quando os mercados ficaram instáveis após anúncios de tarifas pelo então presidente dos EUA, Donald Trump.

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Siemiatkowski pausou o IPO, mas o retomou nas últimas semanas. Ele relembrou uma das melhores memórias da apresentação para investidores, quando um funcionário de um deles o abordou para pedir um cartão de crédito da fintech.

“O cara da segurança disse: ‘Ah, você é da Klarna’. E ele falou: ‘Quero o cartão. Estou na lista de espera. Só me dá o cartão.’ Acho que esse foi o auge de tudo”, contou o CEO de 43 anos.

Mercado de IPOs em aquecimento

A listagem ocorre em um momento de aquecimento do mercado de IPOs nos EUA, com ações de empresas como Circle e Figma. disparando em suas estreias. Com a Klarna, as ofertas públicas iniciais já captaram US$ 25,7 bilhões neste ano, excluindo fundos fechados e outros veículos financeiros, acima dos US$ 20,4 bilhões levantados no mesmo período de 2024, segundo dados da Bloomberg.

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Além da Klarna, Gemini Space Station Inc. (exchange de criptomoedas dos bilionários Winklevoss), a empresa de engenharia Legence Corp., apoiada pela Blackstone, e a Black Rock Coffee Bar Inc. também precificaram seus IPOs nesta semana.

A fintech e alguns de seus investidores venderam 34,3 milhões de ações a US$ 40 cada. Os vendedores — incluindo executivos, o cofundador Victor Jacobsson, entidades ligadas à Sequoia Capital e o bilionário dinamarquês Anders Holch Povlsen, da Heartland A/S — negociaram 29,3 milhões de ações.

A Klarna vendeu cerca de US$ 200 milhões em ações, pois a empresa já é “autossustentável do ponto de vista de capital”, disse Siemiatkowski à Bloomberg Television. A listagem foi feita para tornar a negociação das ações mais organizada do que nos mercados privados, acrescentou.

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“Temos 20 anos de investidores privados e funcionários que compraram ações — com o tempo, ficou difícil controlar as transações privadas em planilhas do Google”, explicou.

Nos seis meses encerrados em 30 de junho, a empresa teve prejuízo líquido de US$ 153 milhões sobre receita total de US$ 1,52 bilhão, contra prejuízo líquido de US$ 38 milhões e receita de US$ 1,33 bilhão no mesmo período do ano anterior, segundo o documento.

A Sequoia Capital deve deter cerca de 22% do poder de voto após a oferta, mostra o documento. A Heartland, de Povlsen, terá cerca de 8,9%, Jacobsson cerca de 8,8% e Siemiatkowski 7,4%.

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A Sequoia já teve um ganho de US$ 2,7 bilhões sobre seu investimento original na Klarna com o IPO. A participação da empresa valia US$ 3,2 bilhões no momento da precificação das ações na terça-feira, representando um retorno superior a seis vezes para a gigante de capital de risco.

O IPO da Klarna foi liderado pelo Goldman Sachs Group Inc., JPMorgan Chase & Co. e Morgan Stanley, com outras 11 instituições envolvidas no negócio. As ações são negociadas na Bolsa de Nova York sob o símbolo KLAR.

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