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SÃO PAULO – Em trajetória declinante desde o início do ano, o dólar encontrou, no começo do mês de maio, certa resistência em perder o patamar de R$ 2,00. Após romper este suporte, a moeda dos EUA não mostrou hesitação na busca pela casa do R$ 1,90.
Porém, neste valor, a divisa parece ter encontrado nova barreira. Apesar de os fundamentos que levaram o dólar ao R$ 1,90 ainda se mostrarem presentes, este patamar aparece, a princípio, como um novo suporte à taxa de câmbio. Em contrapartida, recentemente a divisa norte-americana tem reagido à volatilidade e ao mau humor internacional com valorizações, o que ameaça levar o dólar de volta aos R$ 2,00.
Neste contexto, o que a análise técnica e a fundamentalista têm a dizer a respeito das perspectivas para a variação do dólar?
Volatilidade pode levar o dólar pra cima de R$ 2,00?
Na opinião do analista técnico Didi Aguiar, da Doji Star Four Gráficos, a possibilidade de o dólar retomar o patamar de R$ 2,00 é pequena. O especialista vê uma forte resistência em R$ 1,97, cotação que já conteria novas altas. Além disso, Aguiar afirma que, embora o dólar possa atingir cotações superiores a R$ 1,97, a manutenção destes patamares seria pouco provável.
Do lado do fundamentalismo, Alcides Leite, professor de Mercado Financeiro da Trevisan Escola de Negócios, também compartilha desta opinião. “Não há nenhuma possibilidade, a meu ver, pelo menos no médio prazo, de voltar a crescer, de passar de R$ 2,00”, disse o especialista.
Ou seja…
Uma vez que, na opinião de ambos os analistas, a divisa norte-americana não deve ultrapassar a casa dos R$ 2,00, surge a dúvida de qual seria a trajetória esperada para a moeda: manutenção do atual patamar ou retomada do movimento de desvalorização, atingindo valores abaixo de R$ 1,90.
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Alcides Leite acredita que a desvalorização do dólar está “chegando ao limite”, contudo, pode buscar patamares entre R$ 1,80 e R$ 1,85. O professor da Trevisan acredita que, no curtíssimo prazo, as intervenções do Banco Central via leilões de swap cambial reverso podem surtir efeito, porém, no médio e longo prazos prevalecem questões estruturais.
Em linha com esta opinião, Didi Aguiar, descrente de que as intervenções do Banco Central possam segurar a trajetória natural do mercado cambial, acredita que o dólar deva alcançar R$ 1,85. “O governo tenta segurar em certos patamares, mas o mercado se ajusta”, diz Aguiar.
Abaixo de R$ 1,80, dólar vira questão política
Uma vez o dólar próximo deste patamar citado como “piso”, a busca por novas desvalorizações, na opinião de Didi Aguiar, ocorreriam de maneira gradual e em um grande intervalo de tempo. “A velocidade de queda abaixo de R$ 1,85 será em uma velocidade de câmera lenta. Tão devagar que vai parecer parado”, diz o analista técnico.
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Do âmbito fundamentalista, Alcides Leite acredita que, abaixo de R$ 1,80, o dólar deixaria de ser uma questão monetária e cambial e passaria a ser uma questão política. Abaixo deste patamar, que o professor da Trevisan classifica como insustentável, a taxa de câmbio seria depreciativa para a indústria brasileira e para a atividade exportadora.