Flávio Bolsonaro compara julgamento do pai no STF ao “Caso Dreyfus”

Senador diz que ex-presidente é vítima de erro judiciário; referência remete a um dos episódios mais emblemáticos de injustiça na França

Marina Verenicz

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O senador Flavio Bolsonaro, filho do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, fala durante uma coletiva de imprensa, após o Supremo Tribunal Federal do Brasil emitir uma ordem de prisão domiciliar para seu pai, em Brasília, Brasil, 5 de agosto de 2025. REUTERS/Mateus Bonomi
O senador Flavio Bolsonaro, filho do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, fala durante uma coletiva de imprensa, após o Supremo Tribunal Federal do Brasil emitir uma ordem de prisão domiciliar para seu pai, em Brasília, Brasil, 5 de agosto de 2025. REUTERS/Mateus Bonomi

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou as redes sociais nesta terça-feira (2) para criticar o julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no Supremo Tribunal Federal (STF).

O parlamentar comparou o caso ao “Caso Dreyfus”, episódio histórico francês considerado um dos maiores escândalos de erro judiciário do mundo.

“Jair Bolsonaro é o novo Caso Dreyfus, um dos maiores escândalos de erro judiciário no mundo. A História vai colocar os perseguidores em seu devido lugar”, escreveu o senador.

O que foi o Caso Dreyfus

A referência feita por Flávio remete ao julgamento de Alfred Dreyfus (1859-1935), militar francês condenado em 1894 a prisão perpétua por traição, acusado de repassar informações secretas para a Alemanha.

Anos depois, descobriu-se que o verdadeiro responsável pela espionagem era outro militar, Ferdinand Walsin-Esterhazy. Dreyfus foi inocentado em 1906, após mais de uma década de injustiça que mobilizou intelectuais e dividiu a sociedade francesa.

Julgamento no STF

A declaração do senador ocorre no mesmo dia em que a Primeira Turma do STF iniciou o julgamento do chamado “núcleo crucial” da trama golpista de 2022, que tem Jair Bolsonaro e outros sete aliados como réus.

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Segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo atuou na tentativa de impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e buscou articular um golpe de Estado após a derrota eleitoral.

O julgamento, conduzido pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Turma, terá sessões extraordinárias até 12 de setembro. O relator é o ministro Alexandre de Moraes, que já apresentou um relatório de quase duas horas resumindo as investigações e as alegações finais.

Quem são os réus

Além de Bolsonaro, respondem na ação:
• Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor-geral da Abin;
• Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
• Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF;
• Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
• Mauro Cid, tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
• Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
• Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, candidato a vice-presidente em 2022.

Eles respondem a cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. No caso de Ramagem, parte das acusações está suspensa por decisão da Câmara dos Deputados.