Quanto investir para tirar um ano sabático com renda de R$ 10 mil por mês? 

Veja cinco passos necessários para se preparar financeiramente para um longo período de descanso

Leonardo Guimarães

(Freepik)
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Imagine ter 12 meses longe da rotina de trabalho sem que o dinheiro seja um problema. Ainda que distante da maioria dos brasileiros, o ano sabático pode se tornar realidade com muita disciplina, planejamento e a escolha correta dos investimentos que vão auxiliar na conquista desse objetivo. 

Antes de começar a poupar para ter o longo período de descanso, é preciso fazer contas, entender sobre segurança e liquidez dos investimentos e se preparar para imprevistos. Veja cinco passos para planejar um ano sabático e quanto é preciso investir por mês para ter um “salário” de R$ 10 mil enquanto descansa:

1) Defina a programação do ano sabático

Para Maicon Ademir de Melo, consultor de investimentos do Sistema Ailos, o primeiro passo do planejamento é saber o que fazer durante o período sem trabalho: “uma pessoa que quer tirar um ano sabático para descansar vai precisar de menos dinheiro – dependendo de onde quer descansar, claro – do que quem vai usar o período para viajar e conhecer o mundo”. Ele ainda completa dizendo que “cada motivação vai levar para uma direção o planejamento financeiro”.

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2) Saiba quanto poupar

Para a definição do orçamento, Leticia Ribeiro, coordenadora de Qualidade da W1 Consultoria, recomenda multiplicar por 12 o valor estabelecido para os gastos mensais durante o ano sabático e ainda acrescentar uma margem de 20% para imprevistos. Seguindo a recomendação, quem tem um gasto mensal de R$ 10 mil precisa de R$ 144 mil reservados para o descanso. 

Considerando, ainda, a primeira dica de Melo, o investidor deve incluir no orçamento gastos com passagem, hospedagem e passeios – se for viajar –, eventual aumento dos custos com lazer mesmo enquanto está em casa e outros gastos que não teria com a rotina de trabalho.

3) Comece (logo) a investir

O tempo é o maior aliado de quem quer investir para ter seu ano sabático. Começar, mesmo com pouco, é melhor do que não tirar o planejamento do papel. Para um ano sabático com renda mensal de R$ 10 mil, a diferença entre ter três ou cinco anos para acumular o patrimônio pode chegar a R$ 1,2 mil por mês. 

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Segundo cálculo de Ribeiro, é preciso investir R$ 11,9 mil por mês durante um ano para ter o suficiente para gerar os R$ 10 mil mensais e ainda construir uma reserva para emergências. Ao longo de três anos, os aportes mensais caem para R$ 3,3 mil. Em cinco anos, são necessários R$ 2,1 mil por mês para alcançar o objetivo. 

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A simulação considera uma taxa Selic média de 10% ao ano – hoje, os juros básicos estão em 15% ao ano, mas devem começar a cair no início de 2026 – e rendimento líquido de 0,7% ao mês na renda fixa. A estimativa é conservadora, já que a estimativa dos agentes do mercado financeiro é de que a Selic só chegue a 10% ao ano em 2028, segundo o Boletim Focus.

4) Escolha os melhores ativos

Montantes acumulados acumulados para um objetivo específico e com data para resgate geralmente são investidos na renda fixa. Isto porque o investidor consegue ter clareza sobre quando pode resgatar o valor investido e quanto a aplicação renderá se levada até o vencimento. 

“A renda fixa costuma ser a classe de ativos mais indicada, pois oferece previsibilidade, menor exposição a riscos e possibilidade de planejar os vencimentos de acordo com a data de início do sabático”, explica Leticia Ribeiro. 

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Melo cita Tesouro Selic, CDBs (Certificados de Depósitos Bancários), LCIs e LCAs (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio) como instrumentos recomendados para esse objetivo. 

Sigrid Guimarães, CEO da Alocc, lembra que “se houver gastos no exterior, é preciso considerar uma proteção cambial para evitar que variações abruptas de moeda comprometam o orçamento”. 

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5) Construa uma “escada de liquidez”

É importante lembrar que o patrimônio acumulado será retirado aos poucos, conforme a necessidade de cada mês. Portanto, não é necessário que todo o montante esteja disponível para resgate logo no primeiro mês do ano sabático. Em geral, quanto maior é a liquidez – facilidade de resgatar um investimento –, maior é a remuneração de um ativo. Por isso, compensa construir o que Melo chama de “escada de liquidez”. 

A ideia é que o dinheiro da reserva de emergência e o que será usado nos primeiros meses seja aplicado no Tesouro Selic ou em CDBs de liquidez diária. Depois, o investidor pode diversificar com CDBs, LCIs e LCAs com vencimentos mais longos, de acordo com os meses de necessidade. Com isto, os investimentos vão “amadurecendo” e liberando, aos poucos, o capital necessário, diz Melo: “é como ter várias gavetas de dinheiro, cada uma abrindo em um momento diferente, o que vai otimizar a rentabilidade sem comprometer a disponibilidade”.