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SÃO PAULO – Em época de eleições e debates políticos, é motivo de satisfação constatar que as expectativas sobre as taxas de juros são as mesmas, qualquer que seja o vencedor das urnas. A estabilidade que isto representa é uma conquista importante e valiosa para a economia brasileira.
Mas não esquecemos do problema da nossa taxa de juros – seu tamanho, que deve ficar acima de 9%, em termos reais, ao menos nos próximos dois anos.
Empresas
Não pretendemos, aqui, tratar de causas ou remédios macroeconômicos para esta situação, aspectos já bastante abordados por economistas que são autoridades no assunto. Queremos, sim, refletir sobre o que as empresas, em especial as médias e pequenas, podem fazer para se defender dos efeitos negativos desta realidade.
Recentemente, acompanhamos o caso de uma empresa média que conseguiu reduzir seus custos financeiros de 34% para 19% a.a. em curto espaço de tempo. Diversos fatores concorreram para este resultado impressionante, alguns dos quais particulares à empresa e ao momento.
Entretanto, parte deste feito se deu por medidas aplicáveis a quase qualquer empresa, medidas que não vêm de nenhuma idéia inédita, mas que vêm sendo usadas há vários anos no âmbito dos conceitos de Governança Corporativa.
Boas práticas de governança têm efeito comprovado sobre o custo financeiro, como indica reportagem recente do jornal Valor Econômico, segundo a qual o custo médio de capital das empresas listadas nos três níveis de Governança da Bovespa é mais baixo do que o das demais S/A’s de capital aberto.
Governança Corporativa
Uma estrutura completa de Governança Corporativa é muito cara e provavelmente desnecessária para a maioria das empresas. Entretanto, muitas de suas práticas Governança são de fácil implantação e produzem benefícios diretos. Tais práticas se referem à forma adotada pela empresa para informar o mercado – credores e investidores – sobre si própria e sobre seus negócios. É fácil notar profundas diferenças entre as empresas médias e pequenas, em sua maioria de capital fechado, e as de capital aberto neste quesito.
Em geral, as empresas fechadas divulgam informações de alta qualidade somente sobre seus produtos e, assim, restringem o alvo de sua comunicação a seus clientes.
Informações sobre a situação financeira da empresa e sua estratégia de negócios raramente são disponibilizadas. Por isto, investidores e credores ficam sem subsídios para balizar o risco de investimentos e empréstimos feitos a estas empresas.
Informação
Sem informação, eles agem da forma mais conservadora e lhes atribuem a pior percepção de risco, nivelando por baixo suas conclusões. Assim, investimentos e empréstimos tendem a ser negados ou, na melhor das hipóteses, concedidos a custos mais altos. Como essas empresas racionam informações, restringindo-as às poucas instituições que as procuram, elas se tornam reféns de uma oferta reduzida de capital, fator que também contribui para custo elevado.
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As empresas abertas dão informações de qualidade não somente sobre seu passado nos relatórios financeiros oficiais, mas oferecem também indicações sobre o que lhes pode vir a ocorrer no futuro, falando sobre assuntos tais como medidas de fortalecimento da marca e avanços na inovação de produtos.
Elas obviamente ressaltam seus pontos fortes, mas também cobrem os riscos de seus negócios e as respectivas medidas de mitigação postas em prática. Elas designam um funcionário de alto nível para manter constante o diálogo com investidores e credores, e construir e manter assim a boa imagem da empresa junto ao mercado.
Como as informações são abertas, o universo potencial de credores e investidores interessados na empresa vai muito além dos atuais, e isto aumenta a oferta de capital disponível para a empresa, o que reduz seu custo de captação.
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A seleção e aplicação de determinadas medidas de Governança Corporativa por empresas de porte médio ou pequeno é, além de viável, fonte de benefícios diretos na forma de redução de custo financeiro. É o caso, então, de seguir os bons exemplos das grandes empresas que já alcançaram sucesso nesta área pelo uso de tais medidas.
(*) Lucio de Moura Neto é diretor da empresa Evolve Gestão, especializada em gestão financeira.