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Um estudo realizado pela Universidade de Queensland, na Austrália, em parceria com o Centro de Supercomputação de Barcelona, na Espanha, revelou que as mudanças climáticas são responsáveis por uma queda de quase 40% na abundância média de espécies de pássaros tropicais desde 1950.
Publicada na revista Nature Ecology & Evolution, a pesquisa aponta que eventos climáticos extremos, como ondas de calor prolongadas, secas e inundações, têm impactado diretamente a fertilidade, os hábitos reprodutivos e a sobrevivência desses animais.
A análise utilizou dados abertos de populações de cerca de 3.000 espécies de aves ao redor do mundo, coletados entre 1950 e 2020.
Por meio de modelagem estatística, os pesquisadores conseguiram identificar como as populações dessas aves foram afetadas após eventos climáticos anormais, destacando que as espécies tropicais são particularmente vulneráveis a essas condições extremas.
Segundo o professor James Watson, da Universidade de Queensland e um dos coordenadores do estudo, os eventos climáticos severos são o principal fator para o declínio das aves tropicais, superando o impacto gradual das mudanças climáticas.
O estudo também destaca que aves que habitam savanas tropicais secas, como as do norte da Austrália, enfrentam riscos ainda maiores devido à volatilidade das fontes de água e ao aumento da frequência de ondas de calor e incêndios.
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Além do impacto climático, outras atividades humanas, como desmatamento e caça, também contribuem para a redução das populações de aves, embora em menor escala.
O estudo chama atenção para quedas significativas em áreas remotas, como florestas tropicais da Amazônia e Panamá, onde a presença humana é mínima, indicando que o clima é um fator decisivo para o declínio.
Para garantir a sobrevivência dessas espécies, os pesquisadores reforçam a importância de proteger os habitats naturais e manter populações saudáveis, capazes de resistir aos eventos climáticos extremos.
O professor Watson ressalta que, apesar dos desafios, as aves possuem mecanismos internos para se adaptar a mudanças climáticas, desde que tenham condições adequadas para isso.
A preservação ambiental, portanto, é fundamental para evitar que o cenário se torne ainda mais crítico.
