XP reduz projeção de crescimento do PIB e mantém inflação de 2025 acima da meta

Casa vê cenário de inflação com sinais de alívio no curto prazo, mas destaca que os fundamentos continuam pressionados, especialmente no mercado de trabalho e nas despesas fiscais

Paulo Barros

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A XP Investimentos revisou para baixo sua projeção de crescimento econômico para o Brasil em 2025, de 2,5% para 2,2%, e manteve a estimativa de inflação em 5% no ano. Para 2026, a casa vê o IPCA ainda no teto da meta, com avanço de 4,5%, o que reforça a expectativa de que o Banco Central só inicie um ciclo de cortes na Selic em 2026.

Segundo o relatório divulgado nesta quinta-feira (7), o cenário de inflação apresenta sinais de alívio no curto prazo, com valorização de cerca de 10% do real no ano, deflação acumulada no atacado e composição benigna do IPCA. Ainda assim, a XP destaca que os fundamentos continuam pressionados, especialmente no mercado de trabalho, que segue aquecido, e nas despesas fiscais, impulsionadas por transferências e estímulos.

A projeção para o crescimento do PIB foi reduzida após uma sequência de dados de atividade abaixo do esperado. Setores sensíveis ao crédito, como comércio e serviços, perderam fôlego, e o mercado de crédito apresenta inadimplência elevada e spreads mais largos. O impacto das tarifas impostas pelos EUA sobre exportações brasileiras também foi incorporado, com efeito estimado de até -0,15 p.p. no PIB de 2025.

O número revisado da XP alinha-se à projeção da Legacy Capital, que também estima crescimento de 2,2% para este ano. Para 2026, a XP manteve sua previsão de alta de 1,7% no PIB.

O cenário internacional também entrou no radar da XP. A casa vê como positivo o aumento da probabilidade de cortes nos juros pelo Federal Reserve, movimento projetado também pelo Goldman Sachs, que estima três reduções de 25 pontos-base nos EUA até dezembro. A desaceleração do mercado de trabalho americano reforça, segundo a XP, um ambiente global mais benigno para ativos brasileiros.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)