Depois da escalada recente, a pergunta é: quanto valerá o dólar ao final de 2006?

Os fundamentos estáveis devem manter as cotações do dólar sob pressão e só uma crise externa poderia reverter este quadro

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SÃO PAULO – A recente escalada apresentada pelo dólar nas últimas sessões pode trazer à tona as seguintes questões: o que esperar para a moeda norte-americana no final deste ano? A trajetória ascendente é pontual ou é possível que seja mais consistente?

Diante disso, a InfoMoney consultou analistas a fim de reunir a percepção destes a respeito do comportamento da moeda estrangeira em relação ao real, assim como suas expectativas para a cotação do dólar até o final de 2006.

Dólar entre R$ 2,15 e R$ 2,20 no final do ano

Daniel Gorayeb, analista de valores mobiliários da corretora Spinelli, acredita que, a despeito do movimento de valorização apresentado recentemente, os fundamentos econômicos devem manter a moeda estrangeira em uma tendência de estabilidade.

Segundo o analista, a cotação do dólar deve ficar entre R$ 2,15 e R$ 2,20, refletindo o saldo comercial positivo e a manutenção dos investimentos estrangeiros em patamares razoáveis, o que contribui para um Balanço de Pagamentos favorável.

Mesmo depois do susto, tendência ainda é de queda

Em linha com esta percepção, Júlio Capua Ramos da Silva, sócio e analista da XP Investimentos, também destacou que os fundamentos continuam estáveis, com um fluxo de recursos muito forte tanto do lado comercial como financeiro, em função do diferencial de juros.

Dentro deste contexto, Silva não vê razão para o dólar subir “mesmo depois do susto dos últimos dias”, e acredita que a moeda norte-americana deverá estar cotada a R$ 2,15, aproximadamente, no final de 2006.

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Só crise externa pode dar impulso ao dólar

Por outro lado, o analista alertou que esta projeção assume um cenário externo sem grandes turbulências. Ou seja, caso uma onda negativa mantenha as bolsas internacionais em queda por um período mais prolongado, certamente o Brasil experimentará um cenário de queda na Bovespa e alta nas cotações do dólar.

Em todo caso, este cenário mais pessimista é visto por Silva como pouco provável, mas, mesmo assim, o ideal é estar atento a eventuais sinais de que este contexto menos provável venha a se materializar, diz o analista.

Se chegar em R$ 2,23, dólar deve encontrar resistência

Do ponto de vista da análise técnica, Marcelo Grande vê o patamar dos R$ 2,23 como a próxima resistência que o dólar teria que romper para, então, buscar cotações mais elevadas, perto dos R$ 2,30.

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Por outro lado, se perder o suporte em torno do patamar dos R$ 2,12, é possível que a moeda norte-americana siga em uma trajetória de desvalorização até alcançar o próximo suporte, em R$ 2,05.