Merrill Lynch prevê ressaca nas moedas de mercados emergentes

Depois de período de festa, aceleração do ciclo de aperto monetário e redução da liquidez devem enfraquecer as moedas

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SÃO PAULO – Após o período em que as moedas dos principais países emergentes apreciaram-se em relação ao dólar, os analistas do banco de investimentos Merrill Lynch acreditam que chegou a hora da “ressaca”. A percepção decorre das expectativas de aceleração do ritmo de aperto monetário em nível global, e da redução do crescimento da liquidez internacional.

As perspectivas dos analistas para as taxas de câmbio nos mercados emergentes no segundo semestre são sustentadas por três fatores principais: fluxos, erros de condução da política monetária e situação política.

Enfraquecimento das moedas

As perspectivas de que a redução do crescimento global deverá traduzir-se em menor apetite por ativos de risco, somadas às expectativas de que países que apresentam déficit em sua conta corrente continuarão a ser penalizados, levam à percepção de que haverá o enfraquecimento das moedas de mercados emergentes.

Além disso, a postura dos bancos centrais também deverá ser bastante acompanhada nos últimos seis meses do ano, e as perspectivas são de que estes podem falhar ao assegurar sua credibilidade frente aos regimes de metas de inflação. Quanto ao quadro político, a Merrill Lynch acredita que as incertezas devem aumentar.

Ajutes nas taxas deverá ser mais suave

Contudo, a despeito das perspectivas mais negativas, a instituição acredita que o ajuste nas taxas de câmbio deverá ser mais suave do que foi no passado, isso em função da mudança das metas de taxas de câmbio para metas de inflação. Além disso, o balanço de pagamento deverá ser um importante indicador, mas déficits não são condição suficiente para o enfraquecimento das moedas.

A Merrill Lynch destaca ainda a possibilidade dos bancos centrais interromperem os ciclos de aperto monetário caso a atividade global reverta. Por fim, o banco lembrou que o mercado imobiliário norte-americano e os gastos dos consumidores são fatores chave para o nível de apetite pelo risco dos investidores e fluxos de investimentos para mercados emergentes.