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SÃO PAULO – Como negar a importância de um setor cujo nascimento se confunde com o da própria indústria brasileira? Mais que coincidência, a relação próxima entre a automobilística e a economia nacional se justifica por uma rede de contatos entre diversas cadeias de produção.
Para ilustrar essa idéia, pense em quantos tipos diferentes de insumos estão dentro de um carro ou caminhão. Metais, vidro, plástico e borracha em suas mais variadas formas fazem do automóvel um típico consumidor de matérias-primas.
Condição que deixa o setor automobilístico como importante termômetro da macroeconomia.
Compreender o seu valor ajuda a compreender o todo. Algo que o presidente Juscelino Kubitschek já havia notado quando da formulação de seu Plano de Metas.
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A partir do 0 km
Os “50 anos em cinco” do Plano de Metas, proposto por JK em 1956, foram especialmente atenciosos com o setor automobilístico nacional. A aposta na infra-estrutura rodoviária e na entrada de multinacionais como Ford e General Motors revolucionou o sistema de transportes.
Do improviso a partir de modelos importados, habitual na década de 1920, saíram as primeiras aproximações para um carro feito no Brasil. Das medidas do GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística), criado por Juscelino, surgia enfim o primeiro veículo fabricado internamente.
Desde então a importância dos automóveis e autopeças cresceu a olhos vistos. Percalços no início das décadas de 1980, 1990 e 2000 impediram uma evolução contínua, mas não comprometeram o status de um setor que corresponde historicamente a mais de 10% do Produto Interno Bruto da indústria brasileira.
A evolução
Em 1957, primeiro ano de apuração, foram produzidos cerca de 30 mil veículos no Brasil. Já em 2004, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) apurou 2,2 milhões de automóveis novos.
Um avanço que dependeu das cadeias que fornecem os insumos materiais, mas também do trabalho humano. No mesmo intervalo de tempo, o número de trabalhadores empregados pelo setor automobilístico disparou. Confira as estatísticas:
| Variáveis | 1957 | 2004 | Variação |
| Produção | 30.542 | 2.210.741 | +7.138% |
| Empregos | 9.773 | 101.989 | +943% |
Em nível global
O papel do setor automotivo brasileiro também pode ser compreendido situando-o dentro do panorama internacional. Atrás apenas dos Estados Unidos, Japão e das principais potências européias, o Brasil tinha em 2002 a nona maior frota de veículos do mundo, com quase 21 milhões de unidades.
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Já em um ranking de densidade, o País está bem mais distante do topo. Em 2002, eram 8,4 habitantes por veículo no Brasil, contra 1,2 nos Estados Unidos, líder da classificação.
Recauchutagem
O valor da indústria automobilística brasileira não a isenta de ressalvas. Seu momento atual, por exemplo, não é dos melhores. Empresas do setor reclamam do faturamento nos últimos anos, citando a queda do consumo e o alto nível de impostos sobre a produção, aplicados em cadeia.
No cenário internacional, o desempenho de gigantes como GM, Fiat e Ford vem sendo comprometido por fortes encargos sociais e pela concorrência agressiva. As tradicionais viram sua participação de mercado sendo tomada pela eficiência dos asiáticos, e buscam agora um modelo de recuperação.
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Recuperação não é termo estranho às automobilísticas nacionais, que superaram momentos difíceis nas últimas décadas, com a ajuda de exportações e da adaptação ao perfil do mercado brasileiro. E que podem provar sua força mais uma vez.