Reforma eleitoral é adiada no Senado por impasses sobre militares, redes e cotas

A proposta enfrenta resistência em relação à desincompatibilização de militares, à moderação de conteúdo nas redes sociais e à reserva de cadeiras para mulheres

Marina Verenicz

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A CCJ do Senado adiou pela segunda vez a votação do novo Código Eleitoral, agora para 9 de julho, devido a impasses relacionados a militares, redes sociais e cotas de gênero.

Um dos principais pontos de discordância é a quarentena de dois anos para que militares, juízes, policiais e membros do Ministério Público possam disputar eleições.

O relator, senador Marcelo Castro (MDB-PI), reduziu o prazo de quarentena de quatro para dois anos, mas parte dos senadores ainda se opõe a essa regra.

Outro ponto sensível é a moderação de conteúdo nas redes sociais. O texto permite a remoção de publicações que violem leis ou termos de uso, sem configurar controle editorial, mas parlamentares criticam a medida por considerá-la vaga e passível de abusos.

Voto impresso e cotas para mulheres

Senadores reclamaram da ausência do voto impresso na proposta. Como a Câmara aprovou uma versão em 2021, mudanças exigem nova votação dos deputados se o Senado aprovar o texto atual.

Para valer nas eleições de 2026, a reforma deve ser aprovada pelo Congresso até outubro.

Um ponto de resistência no Senado é a cota de 20% para mulheres na Câmara, Assembleias e Câmaras Municipais. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), é contra, alegando que a medida pode “ir no sentido inverso”.

Regras para candidaturas femininas

Apesar das críticas, o relatório mantém mecanismos que incentivam a participação feminina:

Caso as metas de candidaturas não sejam atingidas, homens poderão ser substituídos por mulheres. Se, mesmo assim, não houver adequação, uma nova eleição poderá ser convocada.

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Fake news e inteligência artificial

O projeto proíbe a divulgação de conteúdos falsos para afetar o processo eleitoral, assim como o uso de perfis anônimos ou falsos para ataques em massa a candidatos e partidos.

Além disso, estabelece que plataformas poderão ser multadas caso não cumpram ordens judiciais para remoção de conteúdos, com multas equivalentes às aplicadas aos próprios candidatos punidos.

Sobre inteligência artificial, o texto determina o seguinte:

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Disparos em massa e pesquisas eleitorais

O uso de mensagens automáticas não solicitadas em larga escala também é proibido. Essa prática poderá acarretar penalidades.

O projeto também altera as regras para pesquisas eleitorais, exigindo que contenham índice de confiança baseado no desempenho passado dos institutos. A divulgação dessas pesquisas passa a ser permitida até o dia da eleição, inclusive as realizadas na véspera.

Além disso, permite o uso de recursos do Fundo Eleitoral para a contratação de pesquisas de opinião e consultorias fora do período eleitoral.

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Outras mudanças