Copom deve dar seqüência ao ritmo e cortar Selic em 0,75 ponto percentual

Parece ser unânime a perspectiva de manutenção da velocidade do afrouxamento monetário; veja os motivos por trás do consenso

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SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária) deve dar continuidade ao ritmo de afrouxamento monetário nesta quarta-feira e reduzir a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, para 15,75% ao ano. É o que sugere a mediana das projeções do relatório Focus do Banco Central publicado na última segunda-feira.

De fato, parece ser consenso entre os analistas de mercado que a magnitude do corte no juro básico brasileiro deve ser mesmo equivalente àquela que já vinha sendo praticada pelo Copom nos últimos meses.

Por um corte de 0,75 ponto percentual

De acordo com a Fator Corretora, há inúmeros motivos para uma nova redução na Selic. A inflação corrente permanece sob controle e as expectativas para a inflação oficial de 2006 encontram-se abaixo do centro da meta pré-estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), de 4,5% ao ano.

Em contrapartida, a corretora destaca que o nível da atividade econômica doméstica dá sinais de aceleração no primeiro trimestre, o que reduz a possibilidade de cortes maiores que o de 75 pontos básicos. A Fator lembra ainda que a troca no Ministério da Fazenda é mais um motivo para o Copom mostrar cautela neste momento.

Complementando, os analistas ressaltam que, assim como explicitado na ata da última reunião, à medida que se caminha em direção ao juro de equilíbrio, cortes da mesma magnitude são proporcionalmente maiores (0,75 ponto percentual sobre 16,5% tem impacto maior do que sobre 19,5%, por exemplo).

Convergência

No mesmo sentido, a corretora Concórdia, que também aposta em uma nova redução de 75 pontos-base na Selic, afirma que sua perspectiva pauta-se no avanço do processo de convergência da inflação corrente e também da expectativa de inflação, desde a última reunião do colegiado do BC, para o centro da meta.

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Já uma redução de 1 ponto percentual não seria recomendável, acredita a Concórdia, sobretudo em virtude da deterioração de algumas variáveis relevantes no cenário internacional, como a escalada dos preços do petróleo e o comportamento das taxas de juro norte-americanas.

Ademais, a corretora destaca que os membros do Copom já haviam alertado para as incertezas que cercam os mecanismos de transmissão da política monetária, no que diz respeito à defasagem e à intensidade dos impactos de ajustes no juro.

Cenário parecido com o da última reunião

Por fim, o banco de investimentos norte-americano Merrill Lynch ressalta que o cenário atual de desaceleração da inflação corrente e queda das expectativas de inflação, aliado à recuperação da atividade econômica doméstica, é bastante semelhante ao da última reunião do Copom, fato que leva seus analistas a compartilharem a visão de manutenção do atual ritmo de afrouxamento monetário.