Comentário da Semana: Bovespa bate recorde e dólar fecha abaixo de R$ 2,10

Indicações do governo de que rigor será mantido, apesar do calendário eleitoral, beneficiaram o mercado

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SÃO PAULO – Dados acima do esperado, referentes ao superávit primário do governo brasileiro, impediram um movimento de realização de lucros e contribuíram para o desempenho positivo do mercado durante a última semana de abril.

No cenário externo, o otimismo veio da melhora da percepção quanto à política monetária norte-americana, da queda dos preços do petróleo e do elevado crescimento econômico observado nos EUA no primeiro trimestre.

Neste contexto, o Ibovespa registrou alta de 1,48% na semana. Os juros futuros também fecharam em alta, enquanto o dólar comercial e o risco-país recuaram.

Cenário interno: austeridade fiscal

No cenário doméstico, o conteúdo da Nota de Política Fiscal do Banco Central, que revelou um superávit primário recorde para o mês de março, amenizou os temores em torno de um eventual abandono da austeridade no ano das eleições presidenciais e animou o mercado.

O rigor já havia sido garantido na véspera da divulgação dos números, pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que afirmou seu compromisso com a manutenção da austeridade fiscal por parte do governo neste ano.

No que diz respeito à evolução dos preços, o destaque ficou com o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15) de abril, que veio abaixo do esperado e reforçou a percepção de que os preços continuam sob controle.

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Do lado negativo, a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) chamou a atenção, sinalizando a possibilidade da desaceleração do ritmo de cortes da Selic, ao afirmar que uma “flexibilização adicional da política monetária deve ser conduzida com maior parcimônia”.

Cenário externo: Bernanke tranqüiliza

No cenário externo, um discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, ao Congresso norte-americano trouxe a perspectiva de que a trajetória de elevação da taxa básica de juro do país pode estar próxima do fim, tranqüilizando os investidores.

Bernanke, porém, se mostrou preocupado com o comportamento dos preços do petróleo. Estes, por sua vez, recuaram nesta semana, reagindo à elevação do juro na China, que foi interpretada como a primeira de uma série de medidas mais severas do governo local no sentido de impedir o superaquecimento da economia, uma das principais responsáveis pelo momento positivo do ciclo de preços das commodities no cenário internacional.

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Por fim, destaque também para o forte crescimento da economia norte-americana no primeiro trimestre, que apresentou a maior taxa de expansão em mais de dois anos.

Ibovespa em recorde histórico

O dólar comercial encerrou a semana em queda de 1,51%, sendo cotado a R$ 2,0880 no fechamento de sexta-feira, quando acabou fechando em desvalorização de 0,76%. A recente trajetória negativa da moeda foi amplificada pelas perspectivas de interrupção do aperto monetários nos EUA.

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No mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2007 projetou taxa de 14,78% na sexta-feira, frente à taxa de 14,72% do encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 15,68%, acima da taxa de 15,58% registrada no encerramento da semana passada.

Finalmente, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em alta de 1,48%, sendo cotado a 40.363 pontos.

Próxima semana: IPC-Fipe é destaque

Mais curta, com feriado na segunda-feira, a primeira semana de maio terá a divulgação do IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor – Fipe) de abril, na quinta-feira, como seu destaque. Além disso, os investidores estarão atentos aos dados da Pesquisa Industrial Mensal, que sai na sexta-feira.

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Ainda na sexta-feira, nos EUA, as atenções devem se voltar para o anúncio do Relatório do Emprego, que traça um panorama detalhado do mercado de trabalho do país.