Executivo do futuro terá que se destacar na gestão

No Brasil realidade ainda é outra: poucas empresas investem o suficiente na sua estrutura de gestão, muito menos em TI, infraestrutura e CRM

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SÃO PAULO – O mesmo estudo do Economic Intelligence Unit (EIU) da revista The Economist, que previu a participação do PIB (Produto Interno Bruto) mundial das várias economias mundiais em 2020, também escutou empresários de todo o mundo, nas áreas de bens de consumo e varejo, acerca do que esperam sejam as principais qualidades do executivo do futuro nos próximos 15 anos.

O estudo constata uma mudança do que é considerado o perfil ideal dos executivos. Enquanto hoje a destreza em comunicação, negociação, finanças e tecnologia da informação é a coqueluche dos cursos de MBAs e reciclagem de executivos, no futuro próximo, a capacidade gerencial será a característica mais valorizada.

Capacidade de gestão

Tanto que quase três quartos dos entrevistados afirmaram que a capacidade de gestão do negócio é a característica que será mais valorizada no executivo do futuro. Em seguida, dentre as características mais valorizadas, vieram: habilidade interpessoal (45%) e a capacidade de resolução de problemas (39%).

Traços que atualmente são muito valorizados, como a capacidade de comunicação, de negociação, e os conhecimentos financeiros, receberam, respectivamente, 22%, 20% e 18% dos votos.

Em TI: uma mudança de foco

Nos próximos 15 anos, o foco da Tecnologia da Informação também mudará radicalmente para serviços customizados, conhecimento gerencial e desenvolvimento de negócio, estes dois últimos essencialmente ligados ao que já se convencionou chamar de “Gestão Empresarial”.

Na tabela abaixo é possível ver com mais clareza essa mudança:

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Prioridades 2005 2020
Gestão financeira e relatórios 52% 24%
Infraestrutural geral 43% 15%
Atendimento do cliente 31% 48%
Gestão de conhecimento 11% 35%

Fonte: Economic Intelligence Unit, 2005

China e Índia serão destaque entre emergentes

O estudo também avaliou quais os países emergentes que terão maior participação no consumo mundial. A constatação do estudo é que os países emergentes, particularmente China e Índia, proverão importantes oportunidades de crescimento nos próximos quinze anos.

Os consumidores nesses países se tornarão mais demandantes e os produtos se proliferarão entre suas camadas sociais. Nos mercados mais maduros, a inovação de produtos dará lugar a novas tendências tais como mudanças demográficas e maior preocupação com o eco-ambiente.

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Estratégias de controle de custos e maior preocupação com a qualidade em países emergentes assegurarão aumentos crescentes de ofertas de produtos e serviços a custos baixos para o resto do mundo. Os mercados maduros perderão cada vez mais as vantagens de economia de escala e as barreiras regulatórias de proteção de seus mercados continuarão diminuindo a tendência de consolidação desses mercados.

Foco no cliente será diferencial

Na área de gestão de negócio, o estudo releva que maior intimidade no relacionamento com clientes e fornecedores será essencial para o sucesso da empresa. Os clientes darão maior peso ao serviço personalizado e os fornecedores se integrarão cada vez mais no processo de desenvolvimento de produtos. Treinamento, recrutamento e investimentos em tecnologia da informação terão muito menor importância em 2020 do que têm hoje. A habilidade na administração do relacionamento será o grande diferencial em 2020.

Em termos de estratégia corporativa, uma fronteira eficiente já está à vista. Estratégias de controle de custos claramente diminuirão margens e um novo modelo será necessário para ganhar vantagens competitivas sustentáveis. O foco será aumentar consistentemente a qualidade do relacionamento com o cliente, não apenas na venda em si, mas na entrega do produto e serviço e no processo de pós-venda.

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No Brasil agimos como formigas

No Brasil, contudo, a realidade ainda é outra: uma parte significativa das empresas brasileiras ainda sequer fez investimentos suficientes na estrutura de gestão financeira e relatórios confiáveis, muito menos em infra-estrutura da tecnologia da informação, marketing e atividades de vendas.

Essas empresas estão muito atrasadas em relação aos seus concorrentes em outras partes do mundo, que já investem no desenvolvimento das habilidades do futuro, conforme mencionado pelo estudo da EIU.

Cabe agora aos políticos, executivos e empresários brasileiros deixar de agir como formigas e, ao invés disto, esticar o pescoço, olhar mais adiante, raciocinar e, ao constatar algum obstáculo, redefinirem suas rotas, evitarem tropeços e atalhos tortuosos que levem do nada ao lugar nenhum. Não é momento para contrariar a tese da Drª Margaret Donaldson, é hora, sim, de contrariar o mundo que continua insistindo em não nos levar a sério.

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(*) Roberto Paschoali é é diretor da Evolve Gestão.