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SÃO PAULO – Na segunda semana de maio, preocupações provenientes do cenário internacional motivaram um movimento de correção, que rondava os principais mercados brasileiros há algum tempo.
Neste contexto, o Ibovespa registrou forte desvalorização de 2,91%, após três semanas consecutivas de alta e vários recordes, enquanto o dólar comercial registrou forte valorização de 4,18%. Os juros futuros e o risco-país, por sua vez, avançaram.
Cenário externo: juro nos EUA
No cenário externo, o destaque ficou com as perspectivas quanto ao futuro da política monetária nos Estados Unidos. Na última quarta-feira, o comitê de política monetária dos EUA elevou o juro dos Fed Funds em 25 pontos base, para 5% ao ano.
No entanto, como o ajuste já era esperado, a atenção dos investidores ficou com os comentários que acompanham a decisão e que, ao contrário do que se esperava, sinalizaram a ampliação do aperto monetário, ao afirmarem que “alguma contração adicional ainda pode ser necessária para anular os riscos inflacionários”.
A posição do Fed levou a um movimento de correção na maior parte dos mercados, com destaque para os emergentes, uma vez que a manutenção da trajetória ascendente do juro nos EUA torna os ativos destes países menos atrativos.
Cenário interno: crise na Bolívia
No cenário doméstico, a atenção dos investidores esteve voltada para a crise diplomática entre Brasil e Bolívia, que teve desdobramentos também no quadro corporativo. A nacionalização do segmento de petróleo e gás no país andino está sendo encarada como uma derrota do governo brasileiro, que apoiou a ascensão de Evo Morales ao poder.
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O depoimento de Sílvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, à CPI dos Bingos também foi bastante acompanhado, embora não tenha trazido grandes contribuições ao desenrolar das investigações, já que o ex-membro da Executiva Nacional do partido afirmou aos parlamentares que já não se lembrava do que era verdade e do que era apenas sua imaginação.
Outro evento importante na semana foi a divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de abril, que confirmou a percepção de que a evolução dos preços segue sob controle no mercado interno.
Cabe destacar que, por mais uma semana, a mediana das projeções dos analistas consultados pelo Banco Central, em seu boletim Focus, apontou variação do IPCA abaixo da meta do CMN (Conselho Monetário Nacional), de 4,5%, em 2006.
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Bolsa cai e dólar sobe
O dólar comercial encerrou a semana em forte alta de 4,18%, sendo cotado a R$ 2,1420 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando em valorização de 2,00%. A percepção de que os juros nos EUA devem continuar subindo impulsionaram a moeda.
No mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2007 projetou taxa de 14,81% na sexta-feira, frente à taxa de 14,79% do encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 15,45%, pouco abaixo da taxa de 15,67% registrada no encerramento da semana passada.
Finalmente, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em queda de 2,91%, sendo cotado a 40.212 pontos. Além do cenário internacional, a temporada de resultados corporativos movimentou o pregão.
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Próxima semana: CPI e PPI
Na terceira semana de maio, destaque para o cenário externo, com as divulgações dos índices de preços ao produtor e ao consumidor norte-americanos, que saem na terça-feira e na quarta-feira, respectivamente.
No Brasil, as atenções devem se voltar para as pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A Industrial sai na segunda-feira e a do Comércio sai na quarta-feira.