Comentário da Semana: pessimismo com correção nos mercados emergentes

Ajustes nas cotações das commodities e inflação nos EUA trouxeram preocupação ao investidor brasileiro

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SÃO PAULO – A deterioração do cenário nos mercados emergentes marcou a terceira semana de maio, com fortes perdas para a bolsa brasileira, valorização do dólar frente ao real e disparada do risco-país, que chegou a seu patamar mais elevado desde o último mês de fevereiro.

No período, o Ibovespa registrou forte desvalorização de 6,17%, enquanto o dólar comercial registrou alta de 3,13%. Os juros futuros avançaram e o risco-país fechou a semana acima dos 250 pontos base.

Commodities em destaque

Ajustes nas cotações das commodities trouxeram preocupação e geraram forte correção nos principais mercados brasileiros. Após a trajetória recente das commodities, que favoreceu o bom desempenho das exportações brasileiras e trouxe dinamismo à economia, a forte queda durante a última semana gerou preocupações.

Na opinião de analistas, tais correções não eliminaram a atratividade dos mercados emergentes, mas contribuíram para a redução do apetite pelo risco dos investidores estrangeiros, o que levou a recomendações de mais cautela nestes países.

Outro destaque da semana foi a “onda de violência” que atingiu a cidade de São Paulo, agitando o cenário político e tendo grande repercussão internacional. O episódio deve ser utilizado intensamente durante a campanha eleitoral.

Fed ainda preocupa

No cenário externo, as considerações da minuta da última reunião do Fomc, comitê de política monetária dos Estados Unidos, continuaram repercutindo, elevando preocupações acerca do vigor da economia do país.

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Com isso, indicadores divulgados durante a semana ganharam em relevância, porém, trouxeram poucas pistas concretas sobre a atuação do Fed em suas próximas reuniões. Os núcleos dos índices de preços ao consumidor e ao produtor apontaram para direções opostas.

Ainda no mercado norte-americano, indicadores referentes ao mercado imobiliário reduziram as preocupações em torno da “bolha imobiliária” no país, que é encarada como um dos principais desafios da Era Bernanke no Fed.

Bolsa cai e dólar sobe, de novo

O dólar comercial encerrou a semana em forte alta de 3,13%, sendo cotado a R$ 2,2090 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando em valorização de 1,66%. Além das preocupações vinculadas ao cenário externo, rumores de que o Banco Central pode tomar medidas de forma a conter uma valorização exagerada do real impulsionaram a moeda.

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No mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2007 projetou taxa de 14,88% na sexta-feira, frente à taxa de 14,81% do encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 15,43%, pouco abaixo da taxa de 15,45% registrada no encerramento da semana passada.

Finalmente, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em queda de 6,17%, sendo cotado a 37.733 pontos. Um movimento generalizado de correção nos mercados emergentes pressionou o índice no período.

Próxima semana: IPCA-15 na sexta-feira

Na quarta semana de maio, o destaque fica com a divulgação do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15), na sexta-feira, que pode trazer pistas sobre o futuro da política monetária no Brasil.

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Nos Estados Unidos, os dados do PIB (Produto Interno Bruto) do país serão divulgados na quinta-feira e devem ser bastante acompanhados pelo mercado.