CNI avalia quais as empresas com mais dificuldades de exportar

Intensivas em mão-de-obra, de pequeno porte e alheias a insumos importados são as mais prejudicadas pelo real valorizado

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SÃO PAULO – Ao lado da taxa de juro, a taxa de câmbio está por trás das mais severas críticas levantadas pelo setor industrial contra a macroeconomia brasileira. O argumento costuma se dividir em duas frentes: a de que o real valorizado frente ao dólar atrapalha as exportações, e a de que também prejudica a produção nacional, à medida que impulsiona importações.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) faz uma análise apurada da primeira variante no estudo “Quais empresas estão com mais dificuldades de exportar?”. Conforme explica a instituição, exportadoras intensivas em trabalho, de pequeno porte e pouco dependentes de insumos importados são as maiores vítimas do câmbio.

Mão-de-obra mais cara

Estatísticas apontam que a folha de pagamento de salários medida em dólares cresceu, em média, 70% entre 2002 e 2005, muito em parte devido à valorização do real.

Esse forte impacto sobre os custos da mão-de-obra tende a resultar em perdas expressivas de competitividade para as exportadoras, avalia a CNI. Sobretudo nos segmentos industriais intensivos em trabalho, como o de vestuário e de calçados.

Pequeno porte cada vez menor

O estudo em pauta identifica uma tendência de concentração das exportações em um menor número de firmas, dadas as dificuldades impostas pela força do real. No primeiro bimestre deste ano, foram 10.078 exportadoras, contra 10.674 no mesmo período de 2005.

A redução das exportadoras atinge principalmente as companhias que faturam até US$ 100 mil por ano, destaca a CNI: “as micro, pequenas e médias empresas estão perdendo espaço”.

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Alheias aos importados

Das exportadoras, são mais prejudicadas as que usam pouco ou nenhum insumo importado. Isso porque, dado o dólar mais barato, a importação de insumos funciona como compensação para parte da queda de rentabilidade das exportações.

O estudo alerta ainda para o risco de se manter estoques de importados em um contexto de valorização contínua do real. Qualquer avanço da moeda nacional entre a importação do insumo e a exportação do produto final é desvantajoso.