Comentário da Semana: após forte queda, mercado se recupera

Semana começou mal, mas saldo final foi levemente positivo; cenário externo segue ditando o ritmo dos negócios

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SÃO PAULO – A quarta semana de maio foi marcada por forte volatilidade, alternando entre quedas exageradas e euforia, em uma magnitude que não era registrada há alguns anos. O balanço final variou entre os diversos segmentos do mercado, mas boa parte encerrou o período em patamares não muito distantes do encerramento da semana anterior.

No período, o Ibovespa registrou alta de 2,38%, bem como o dólar comercial, que avançou 1,45%. Os juros futuros e o risco-país também fecharam a semana em alta.

Juro nos EUA ainda preocupa

No cenário externo, a volatilidade marcou o período. Preocupações acerca da trajetória do juro básico norte-americano prejudicaram os mercados emergentes no início da semana, que sofreram com a significativa saída de recursos externos.

Além disso, declarações do diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Rodrigo Rato, de que o Fomc deverá promover novos ajustes para cima na Fed Funds Rate, intensificaram ainda mais os temores de uma re-alocação global de portifólios.

No decorrer da semana, no entanto, indicadores como o PIB norte-americano, que veio abaixo do esperado, e o PCE, que mede os gastos pessoais dos consumidores nos EUA e não surpreendeu, tranqüilizaram os investidores, que vêem com mais dificuldade a ampliação do aperto monetário nos EUA.

Vindo da Ásia, porém, outro fato negativo abalou o mercado. A Organização Mundial de Saúde alertou sobre a suspeita da transmissão entre seres humanos do vírus H5N1 – responsável pela gripe aviária – na Indonésia. O temor é de que, caso o vírus ganhe a habilidade de se espalhar através do contato humano, uma epidemia da doença prejudique o consumo e, por conseqüência, o crescimento global.

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Austeridade mantida

No cenário interno, o destaque da semana foi a divulgação do superávit primário do setor público em abril, que somou R$ 19,426 bilhões, o maior saldo de toda a série histórica, iniciada em 1991. O indicador, embora inflado por itens extraordinários, tranqüilizou parte do mercado, que teme o afrouxamento da política fiscal em função do calendário eleitoral.

No que diz respeito à evolução dos preços, poucas novidades. O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15) e a prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) indicaram leve aceleração dos preços, mas não surpreenderam o mercado, que ainda acredita que os preços estão sob controle.

E o quadro eleitoral começa a tomar forma, com as pesquisas de maio marcando o início da corrida pela presidência. CNT/Sensus e Datafolha mostraram a tendência de crescimento da candidatura do presidente Lula, que ganharia no primeiro turno em todos os quadros. Analistas comentam que a posição de Lula é mais confortável do que a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 1998.

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Dólar e bolsa sobem

O dólar comercial encerrou a semana em alta de 1,45%, sendo cotado a R$ 2,2410 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando em desvalorização de 2,27%. Durante a semana, a moeda norte-americana chegou a ser cotada acima dos R$ 2,40, em sua maior cotação desde agosto do ano passado.

No mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2007 projetou taxa de 15,12% na sexta-feira, frente à taxa de 14,88% do encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 15,29%, pouco abaixo da taxa de 15,43% registrada no encerramento da semana passada.

Finalmente, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em alta de 2,38%, sendo cotado a 38.630 pontos. Apesar da forte volatilidade, a semana terminou positiva para o mercado de ações brasileiro, refletindo a recuperação dos emergentes.

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Próxima semana: Fomc e Copom

Na última semana de maio, o destaque no cenário interno fica com a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que na quarta-feira decide a nova taxa básica de juro da economia brasileira. A expectativa é de que o comitê reduza a Selic em 50 pontos base, para 15,25% ao ano.

Nos Estados Unidos, a minuta do Fomc, o comitê de política monetária local, sai na quarta-feira e deve ser bastante acompanhada pelos analistas. O relatório do emprego sai na sexta-feira.