CDI ou IPCA? Gestor do FII MXRF11 revela como o fundo equilibra indexadores

MXRF11 defende equilíbrio entre CDI e IPCA e aposta em ganhos com fechamento da curva de juros reais

Vinicius Alves

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Durante sua participação no Liga de FIIs, programa do InfoMoney que será exibido nesta quarta-feira (28), Evandro Santos — do MXRF11 (Maxi Renda) e sócio da XP Asset — compartilhou os bastidores da gestão do fundo mais popular da Bolsa. Com quase 1,3 milhão de cotistas, o FII adota uma estratégia na escolha entre os indexadores CDI+ ou IPCA+.

“A gente nunca tentou acertar o indexador na crava. Se tentar, a única certeza que temos é que vamos errar”, afirma Santos, ao defender a importância de manter um balanceamento entre ativos atrelados ao CDI e à inflação. “Historicamente, o fundo busca manter pelo menos 30% em cada indexador para evitar volatilidade nos rendimentos.”

Nos últimos anos, a carteira do fundo sofreu ajustes naturais. Parte dos ativos atrelados ao CDI foi pré-paga por devedores que, ao contratarem dívidas durante o ciclo de Selic baixa (entre CDI+4% e CDI+6%), anteciparam os pagamentos diante do avanço dos juros.

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Com isso, a parcela indexada ao CDI chegou a cair para cerca de 15%, mas a gestão já trabalha para retomar o equilíbrio, mirando algo próximo de 30%. Ao mesmo tempo, o fundo tem aproveitado a oportunidade para travar operações com taxas atrativas em IPCA+. “Estamos conseguindo fechar negócios com inflação mais 8%, mais 9%, até mais 10%. Isso, no futuro, pode destravar ganhos relevantes na marcação a mercado, caso a curva real de juros recue”, pontua o gestor.

“A gente já fez isso antes, especialmente quando a Selic estava em 2%. Hoje, estamos formando um novo ‘buffer’ com nomes muito bons, a taxas muito boas, que vão nos permitir capturar valor quando os juros caírem”, acrescenta.

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Assim, a escolha entre os indexadores deve considerar mais do que o retorno imediato — e sim o potencial de valorização futura e a estabilidade da distribuição. “Não existe fórmula mágica. O IPCA tem sua volatilidade, sim, mas a gente olha muito mais para o cenário prospectivo do que para o que está entregando agora. O mercado está correndo para o CDI, os spreads estão mais baixos, mas ativos atrelados à inflação ainda oferecem bons retornos — IPCA+9, +10, isento, no caso dos FIIs, não é nada mal. E, se a curva de juros reais fechar, ainda podemos capturar um belo ganho de capital”.

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Confira a entrevista completa – e mais dicas – de Evandro Santos na edição desta semana do Liga de FIIs. O programa vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas.