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SÃO PAULO – Quando o assunto é inovação tecnológica, o primeiro país que vem em mente é, sem dúvida, o Japão. Líderes na área de robótica, as empresas japonesas têm constantemente utilizado seus avanços tecnológicos para ganhar espaço no mercado mundial.
Esse é o caso, por exemplo, das montadoras japonesas, que têm planos ambiciosos para 2006: alcançar a liderança no mercado mundial. E, a julgar pelo desempenho das das empresas japonesas deste setor no mercado norte-americano, base de suas maiores competidoras, essa perspectiva não é improvável.
Assim, causou surpresa o fato de que o lançamento tecnológico mais comentado do momento, o iPod, não tenha sido desenvolvido pela japonesa Sony, mas sim pela norte-americana Apple.
Pegas de surpresa dormindo
Precursora na área de aparelhos móveis e digitais, a Sony – que ficou mundialmente conhecida na década de 80 quando lançou o walkman, chegou a lançar um aparelho digital para ouvir música. Porém, diante da falta de interesse dos japoneses pela distribuição de música pela internet, a companhia japonesa não dedicou os esforços necessários ao lançamento do produto.
Para o Ministro das Comunicações e de Assuntos Internos, Haizo Takenaka, o lançamento do iPod exige uma reflexão mais profunda, e serve como lição para as empresas japonesas dos riscos de serem pegas “dormindo” por empresas estrangeiras inovadoras. Desde o lançamento do iPod a Sony vem enfrentando dificuldades financeiras, o que levou ao corte de 10 mil empregos. Ainda assim, a companhia japonesa deve fechar o ano fiscal com um prejuízo de 10 bilhões de ienes.
Foco deve ser crescimento do mercado
Na visão do ministro, os setores de telecomunicações e mídia no Japão precisam passar por uma reforma significativa, tanto no que refere às práticas comerciais, quanto em termos de regulamentação. Nesse sentido, teria sido formada uma força tarefa que, até junho, deve elaborar um plano com propostas de reformas nessas áreas.
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Para o ministro, se bem sucedida, a implantação dessas propostas pode aumentar em cinco vezes o faturamento dos dois setores, atualmente estimado em 20 bilhões de ienes. Takenaka defende que, ao invés de brigarem por uma participação de mercado maior, as empresas japonesas deveriam se concentrar no crescimento do mercado como um todo. Isso seria mais vantajoso para todos, mas, sobretudo, para elas mesmas.