Lei que restringe cidadania por sangue na Itália tem aprovação final; veja o que muda

Deputados italianos aprovaram nesta terça lei que limita cidadania a filhos e netos; medida impacta diretamente brasileiros com ascendência italiana

Paulo Barros

Publicidade

A Câmara dos Deputados da Itália aprovou nesta terça-feira (20) a lei que restringe o direito à cidadania italiana por descendência. A nova regra, que já estava em vigor desde março, precisava ser aprovada na Casa para se tornar lei definitiva. Com a tramitação final no legislativo italiano, a mudança passa a excluir milhares de brasileiros do processo de reconhecimento de cidadania.

Já havia ampla expectativa de que o decreto fosse aprovado pela Câmara, já que o partido do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni, o Fratelli d’Italia, detém maioria. “Existem solicitações de cidadania ligadas a um antepassado que chegou ao Brasil nos anos 1850, da sexta geração. Com esse decreto, colocamos fim a práticas anômalas, quando não ilegítimas, que querem presentear a cidadania a quem não tem nada a ver com a Itália”, disse Giovanni Maiorano, do mesmo partido de Meloni.

O texto, já que já havia passado pelo Senado no dia 15 e não sofreu novas alterações na Câmara, determina que apenas filhos e netos de italianos terão direito à cidadania por jus sanguinis (direito de sangue), e apenas se cumprirem condições específicas:

Na prática, a nova regra exclui descendentes de italianos que possuem dupla cidadania, como ítalo-brasileiros, da transmissão do direito para gerações seguintes. O decreto afeta somente pedidos feitos a partir de 28 de março. Processos protocolados antes dessa data não serão impactados, segundo o governo e especialistas.

Com cerca de 30 milhões de descendentes de italianos no Brasil, a medida tem repercussão direta. Apenas em 2023, os consulados italianos registraram até 38 mil reconhecimentos de cidadania no Brasil. A suspensão temporária de agendamentos em consulados também afeta o andamento de novos processos, que agora devem ser encaminhados diretamente à Justiça italiana.

Contestação

Apesar da aprovação, juristas indicam que a norma poderá ser contestada na Suprema Corte, por supostas violações à Constituição italiana, como a retroatividade e a discriminação entre cidadãos com dupla nacionalidade.

Continua depois da publicidade

A mudança marca uma guinada na legislação italiana, que por mais de 30 anos reconheceu o direito à cidadania sem limite de gerações. Com a nova lei, o país passa de uma das legislações mais amplas do mundo para uma das mais restritivas nesse aspecto.

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos