Risco país atinge piso histórico, após anúncio de recompra de títulos externos

Operação anunciada pelo Tesouro Nacional permite redução significativa no estoque de títulos externos e impressiona mercado

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SÃO PAULO – O anúncio de que o Tesouro Nacional iniciou no último mês de janeiro um agressivo programa de recompra de títulos da dívida externa derrubou o indicador de risco país nesta sexta-feira para seu patamar mais baixo na história. Após ter fechado em 258 pontos base na última quinta-feira, o indicador calculado pelo banco norte-americano JP Morgan chegou a atingir 224 pontos nesta sexta-feira.

O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, afirmou na última quinta-feira que o Tesouro Nacional iniciou em janeiro um programa de recompra de bônus globais que vencem até 2010 e dos Brady bonds, títulos da dívida externa emitidos após as moratórias dos anos 80. Segundo Levy, de janeiro até o dia 9 deste mês, o BC já tinha adquirido US$ 2,3 bilhões em títulos.

Notícia valoriza títulos

O impacto sobre o preço dos títulos da dívida externa foi imediato, com a alta dos papéis levando o risco país a níveis anteriormente não atingidos. O programa do Tesouro deve reduzir de forma significativa o estoque de papéis brasileiros no exterior, já que segundo Levy, o estoque dos títulos que são objeto do programa varia entre US$ 16 bilhões e US$ 20 bilhões.

O estoque elevado de títulos brasileiros em circulação é um dos principais fatores que explica o risco país ser mais elevado no caso do Brasil do que em outros países. De fato, o estoque de papéis brasileiros, tanto na forma de bônus globais como Bradies é o maior entre todas as economias emergentes.

Oferta e demanda

O elevado estoque de títulos brasileiros, superior a US$ 45 bilhões, acaba afetando a precificação destes ativos. Embora o Brasil seja uma das maiores economias emergentes, os investidores institucionais internacionais adotam estratégias de diversificação, o que acaba limitando o apetite por um volume elevado de papéis brasileiros.

Com a redução do estoque, o preço se ajusta, refletindo um novo equilíbrio entre oferta e procura. Isso permite que o indicador de risco país caia, já que ele é calculado com base na diferença de retorno entre os papéis brasileiros e os títulos do Tesouro norte-americano.

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O diferencial do risco Brasil em relação a outros países, assim, registra forte queda. Países como Colômbia, Peru e Turquia, que tem seus papéis negociados com spreads próximos da faixa de 200 pontos, apresentam um estoque de títulos muito menor.

Caso a operação anunciada pelo Tesouro, que deve se estender até dezembro, atinja o objetivo previsto, o México passará a ser a economia emergente com maior estoque de bônus globais no mercado internacional, com um acumulado superior a US$ 35 bilhões.