Ata do Copom: tom positivo é mantido, mas sem sinalizar maiores cortes da Selic

Apesar da percepção de menores riscos e manutenção do cenário favorável, comitê não sinaliza corte mais agressivo da taxa

Publicidade

SÃO PAULO – O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) divulgou nesta quinta-feira, dia 16 de março, a ata da reunião realizada nos dias 7 e 8 de março, quando a autoridade monetária reduziu a taxa básica de juro brasileira, a Selic, em 75 pontos base, para 16,50% ao ano.

O colegiado do BC justificou a decisão, considerada conservadora por parte do mercado, com as incertezas acerca do efeito que uma redução maior no juro teria sobre o comportamento dos preços e perspectivas do mercado. Além disso, a decisão foi considerada condizente com o atual nível de risco da economia.

Decisão não foi unânime

A decisão, no entanto, não foi unânime. Por julgar que um corte de 1 ponto percentual na taxa proporcionaria uma sinalização em linha com a melhora no balanço de riscos verificada entre as reuniões de janeiro e março, três membros do Copom votaram a favor da redução mais ousada na meta da taxa Selic.

De acordo com o relatório, estes membros do comitê acreditam que o atual cenário de riscos revela uma recuperação equilibrada da economia, destacando-se as perspectivas positivas para o aumento nos investimentos e de expansão das importações, associado à desaceleração da alta da inflação observada no início do ano.

Vale ressaltar que, apesar de três membros terem votado pela redução de 1 pontos percentual, a ata evidencia que estes reconhecem que as próximas decisões do Bacen estarão condicionadas à evolução da inflação e às suas projeções.

Continua depois da publicidade

Cenário externo permanece favorável

O comitê evidenciou em seu relatório, que apesar da maior volatilidade verificada nos mercados financeiros internacionais, decorrentes de preocupações acerca da trajetória das taxas de juros nas principais economias mundiais, e o fato dos preços do petróleo manterem-se em patamar elevado, o cenário externo permanece favorável, de maneira que continua se configurando um cenário favorável para a evolução da inflação.

Adicionalmente, o colegiado explicitou sua percepção de que o espaço para que haja juros reais menores no futuro continua se consolidando, como conseqüência da redução da percepção de risco macroeconômico, sendo que esta, por sua vez, decorre de um quadro de convergência contínua da inflação para a trajetória de metas e da estabilidade econômica.