Depois do sucesso, fundos que aplicam em commodities dão sinal de alerta

Com crescimento surpreente nos últimos três anos, aplicações começam a sentir os efeitos negativos do próprio êxito

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SÃO PAULO – Com a disparada dos preços da energia, dos minérios e de gêneros agrícolas durante os últimos três anos, os fundos passivos baseados em índices de commodities vêm ganhando mais e mais a atenção dos investidores.

Segundo dados do jornal inglês Financial Times, cerca de US$ 80 bilhões estão alocados em aplicações que seguem indicadores como o Goldman Sachs Commodity Index. Há três anos, o montante era de US$ 15 bilhões.

Mas apesar do clima de otimismo para os fundos que apostam em commodities, alguns analistas estão preocupados: as aplicações podem vir a ser vítimas de seu próprio sucesso. Isso porque a enorme quantidade de recursos dentro do mercado parece estar levando a graves distorções de preço.

Entendendo as distorções

Para compreender essas distorções, vale a noção de que a maior parte dos contratos futuros de commodities vence em base mensal. Dessa forma, os investidores têm que vender o contrato com vencimento mais próximo e comprar o próximo.

A diferença entre a venda e a compra é conhecida como rolling yield, uma rentabilidade que se manteve positiva nos últimos quatro anos, caracterizando o que os economistas denominam backwardation.

Do backwardation ao contango

No entanto, com a forte entrada de recursos nos fundos, o rolling yield está ficando negativo. Ou seja, os preços dos contratos com vencimento mais próximo estão abaixo daqueles que vencem mais à frente. Esse fenômeno, chamado de contango, repercute na queda do desempenho dos índices de commodities.

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De forma intuitiva, os fundos que aplicam em petróleo, ouro ou café, por exemplo, passam a depender de performances futuras surpreendentes para os preços dessas commodities, de modo a contrabalançar o peso do yield negativo. Uma suposição cada vez mais arriscada, dados os recordes atuais de cotação.