Comentário da Semana: temor com mercado externo amplia movimento de ajuste

Temor em relação ao rumo da política monetária norte-americana ampliou a realização de lucros durante a semana

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SÃO PAULO – Na primeira semana de outubro, o mercado brasileiro passou por um movimento de forte realização de lucros, após várias semanas de um otimismo exagerado. Ainda assim, as perspectivas para a economia brasileira se mantiveram positivas, sendo os rumos da política monetária norte-americana a principal fonte de preocupações.

Neste contexto, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou a semana em forte queda de 5,10%, tendo recuado mais de 1,5 mil pontos no período, enquanto o dólar comercial registrou alta de 1,03%. Os juros futuros, por sua vez, encerraram a semana em alta.

Cenário interno: forte ajuste

A semana foi marcada por um forte movimento de ajuste, com o mercado revendo o otimismo exagerado das últimas semanas. Na última segunda-feira, o Ibovespa operou em seu maior patamar histórico, o risco país se aproximou da mínima de 337 pontos registrada em 1997 e o dólar operou na menor cotação em mais de quatro anos.

Bastou uma declaração do presidente do Federal Reserve de Dallas, Richard Fisher, de que o banco central norte-americano precisa se manter vigilante às pressões inflacionárias para que as bolsas das principais economias emergentes despencassem na terça-feira. As palavras de Fisher soaram ao mercado como uma sinalização de que o Fed poderia acelerar o ritmo de elevação da taxa básica de juro.

O fato comprova que, muito mais do que a melhora dos fundamentos destes países, a elevada atratividade dos investimentos em mercados emergentes depende principalmente das condições favoráveis de liquidez no mercado internacional.

Entre os dados econômicos, destaque para a manutenção do bom desempenho da balança comercial, que teve superávit de mais de US$ 4,3 bilhões em setembro, os números melhores que o esperado da produção industrial e a indicação de inflação sob controle trazida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) nesta sexta-feira.

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Cenário externo: juro sob o foco

No cenário externo, a maior preocupação do mercado foi em relação ao destino da taxa básica de juro norte-americana. As declarações de algumas figuras importantes na condução da política monetária do país deram indicações de que o aperto pode se intensificar nas próximas reuniões da entidade.

Entre os indicadores, o fraco desempenho do setor de serviços norte-americano, revelado pelo ISM Services, e o também fraco, mas acima do esperado, resultado do Relatório do Emprego foram os destaques da semana.

Dólar sobe e Ibovespa cai mais de 1,5 mil pontos na semana

O dólar comercial encerrou a semana em alta de 1,03%, sendo cotado a R$ 2,2490 no fechamento desta sexta-feira, quando acabou registrando forte desvalorização de 1,83%. A moeda foi afetada pela elevação dos temores em relação ao cenário internacional e acumulou quatro quedas consecutivas na semana.

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No mercado de juros futuros, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2007, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,74% na sexta-feira, frente a uma taxa de 17,63% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 19,38%, estável em relação à semana anterior.

Finalmente, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em forte queda de 5,10%, sendo cotado a 29.973 pontos. A bolsa paulista, após ter batido recorde de fechamento na última segunda-feira, sofreu bastante com o movimento de realização de lucros verificado durante a semana.

Próxima semana: cenário externo e feriados

Na segunda semana de outubro, o destaque fica com o cenário externo, onde, na terça-feira, sai a ata da última reunião do Fomc, quando a taxa básica de juro dos EUA foi elevada em 25 pontos base. Foco também no CPI, o preço aos consumidores norte-americanos, que será divulgado na sexta-feira.

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No cenário interno, a semana será de poucos indicadores, com a divulgação da Pesquisa Mensal de Comércio como principal evento. Por fim, vale lembrar o feriado nos Estados Unidos na segunda e o no Brasil na quarta-feira.