Interior do Brasil já é responsável por 50% do PIB nacional

Relatório do IBGE revela que a participação das cidades da capital vem diminuído, mas a concentração de renda persiste

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SÃO PAULO – As cidades do interior do Brasil estão aumentando a sua participação na riqueza produzida pelo País, segundo relatório do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado nesta sexta-feira (18).

Intitulado “PIB (Produto Interno Bruto) dos Municípios 2003”, o estudo revela que as principais capitais perderam participação, embora continuem concentrando renda.

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Impulsionadas pelo bom desempenho nos últimos anos da agricultura, das usinas e refinarias de petróleo, e pelos incentivos fiscais que descolaram empresas para fora dos centros urbanos, em 2003 o interior já poderia se declarar responsável por 50% de tudo o que é produzido pelo Brasil, somando aproximadamente R$ 1,5 trilhão. Em 1999, data da pesquisa anterior, essa participação só chegava a 46%.

Enquanto a soja impulsionou o crescimento do Sul, Nordeste e Centro-Oeste do País, cidades como Campos dos Goytacazes, Duque de Caxias e Macaé, municípios cariocas, já contribuem com 2% do PIB graças à extração do petróleo. Já a produção de carros aumentou a participação do PIB de cidades como Camaçari, na Bahia, e São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

Em São José dos Campos, no interior paulista, a sua maior fatia no PIB se deve aos setores de alta tecnologia (aeronáutico, automobilístico etc), enquanto em Sorocaba, também em São Paulo, a intensa industrialização e o desenvolvimento do setor de serviços responde pelo salto. Esses municípios já são responsáveis por 0,9% e 0,5% da riqueza nacional, respectivamente.

Centos urbanos e concentração de renda

A participação das capitais brasileiras na composição do Produto Interno Bruto vem diminuindo gradualmente. Em 1999, elas concentravam 32% do PIB, e em 2003 houve queda de quatro pontos percentuais (28%). Ainda assim, São Paulo, Rio de janeiro, Brasília, Manaus e Belo Horizonte mantêm as principais posições no ranking.

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Além disso, 25% da renda continuam concentrados nas 10 principais cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Manaus, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre.

Uma das conseqüências disso é a posição ocupada por algumas cidades do Norte e Nordeste do País, as regiões que menos geram riqueza para o Brasil. Tocantins e Piauí, por exemplo, são os Estados que menos agregam riqueza ao PIB. As cidades do Tocantins (como Oliveira de Fátima, São Félix do Tocantins) e do Piauí (como Santo Antônio dos Milagres, Francisco Macedo e São Miguel da Baixa Grande) contribuem com parcos 0,001% de tudo o que o País produz.