Selic terminou 2005 menor do que começou, mas sem espantar críticas

Diferença de apenas 25 pontos base entre janeiro e dezembro despertou protestos; para BC, contração foi justificada

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SÃO PAULO – A taxa básica de juro terminou 2005 menor do que começou. Era essa a reivindicação de boa parte da sociedade ao final do ano passado. Logo, nada de ressalvas quanto à política monetária praticada pelo Banco Central.

Errado. A Selic realmente caiu, mas não antes de subir de forma acentuada. Além disso, caiu em ritmo que o próprio BC classifica como “lento e gradual”. Por fim, foi apenas o bastante para dizer que caiu: de 18,25% ao ano em janeiro para 18% ao ano na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de dezembro.

Taxa de juro gera protesto

A diferença de apenas 25 pontos base entre os extremos do ano descontentou empresários e trabalhadores, que pediam seguidamente maior atenção ao crescimento econômico. Dentre as classes, ficaram marcados os protestos de Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e de João Felício, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores).

Amostras de insatisfação vieram também do próprio governo. Uma queda de braço entre o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, mostrou que as restrições impostas pela equipe econômica estavam sendo questionadas internamente.

Protesto gera protesto

Em resposta às severas críticas, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, defendeu publicamente seu ponto de vista. Lembranças em relação às mazelas provocadas pela inflação, ainda carente de solução definitiva.

A diretoria do Banco fez questão de reiterar em atas e declarações que a troca de um pouco mais de inflação por um pouco mais de crescimento não constitui uma estratégia coerente em longo prazo; embora seduza pelo populismo.

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Fatores embasando a Selic

A efetiva queda da Selic começou em setembro, de maneira ainda tímida. A partir de outubro, cortes de 50 pontos base. Formas de compensar o patamar de 19,75% ao ano atingido em maio, que perdurou até o mês de agosto.

O algum mistério nas razões por trás das reuniões do Copom não impede a seleção de algumas variáveis que, durante o ano de 2005, foram relevantes para o traçado da taxa básica de juro.