Comentário da Semana: mercado fecha 2005 com otimismo

Boas perspectivas impediram movimentações muito expressivas e garantiram o desempenho positivo neste ano

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SÃO PAULO – A última semana de dezembro e de 2005 foi mais um período de poucas emoções para o mercado brasileiro, marcada por baixo volume e pouca volatilidade, já que os anseios por uma realização mais forte dos ganhos no ano foi contido pelas boas perspectivas para 2006. No cenário externo, a semana também foi tranqüila.

Neste contexto, a bolsa brasileira encerrou a semana em leve alta, bem como o dólar comercial e os juros futuros, que avançaram no período. Já o risco país, voltou a encerrar a semana em queda.

Cenário interno: semana morna

Baixos volumes e oscilações modestas deram o tom dos mercados brasileiros na última semana do ano, corroborando a percepção dos investidores de que 2005 já estava definido, em termos de rentabilidade.

Entre os indicadores divulgados esta semana, destaque para o Relatório de Inflação do Banco Central. No documento, o banco projetou inflação acima da meta para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) nos próximos dois anos, em um cenário que considera as projeções do boletim Focus, o que deteriorou as perspectivas em relação ao processo de afrouxamento monetário.

Por outro lado, o IGP-M (Índice Geral Preços – Mercado) de dezembro apurou deflação de 0,01% no período, o que levou o acumulado do ano a 1,21%, menor variação em toda a série histórica, iniciada em 1989. O desempenho do índice, que é um importante indexador, traz boas perspectivas para a inflação no próximo ano.

Em Brasília, a votação dos relatórios setoriais do Orçamento da União 2006 seguiu em um ritmo bastante lento. Governo e oposição não chegam a um acordo e o documento final deve demorar a sair.

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Cenário externo: pouca movimentação

No cenário externo, a semana também foi bastante tranqüila. Nos Estados Unidos, o índice que mede a confiança do consumidor local atingiu o seu maior patamar em quatro meses na quarta-feira, beneficiando o mercado.

No mercado de juros futuros, a curva de juro norte-americana apresentou um formato praticamente horizontal na última terça-feira, quando o rendimento do título de dez anos do Tesouro se igualou ao do de dois anos. Tal fato não ocorria há mais de 5 anos e mostra a persistência do juro de longo prazo no país.

Mercados andaram de lado

O dólar comercial encerrou a semana em leve alta de 0,30%, sendo cotado a R$ 2,3230 no fechamento de quinta-feira, quando acabou encerrando em desvalorização de 0,81%. A semana foi de pouca volatilidade, apesar das atuações constantes do BC.

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No mercado de juros futuros, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2007, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 16,38% na sexta-feira, pequena variação frente à taxa de 16,33% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 17,77%, bem abaixo dos 18,05% registrados no encerramento da semana anterior.

Finalmente, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em leve alta de 0,37%, sendo cotado a 33.456 pontos. Movimentos discretos de realização de lucros e boas perspectivas para o próximo ano não permitiram uma oscilação expressiva do índice.

Próxima semana: balança comercial de 2005

Na primeira semana de 2006, o destaque no cenário interno fica com a divulgação da balança comercial brasileira, que traz os dados fechados de 2005, na segunda-feira. Os dados da última semana já mostraram que o indicador virá acima das projeções do mercado, com as exportações batendo um novo recorde.

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Nos Estados Unidos, a ata do Fomc, na terça-feira, e o Relatório do Emprego, na sexta-feira, devem ser o foco de atenção dos investidores. A ata será a última a ser divulgada na gestão Greenspan no Federal Reserve.