CNI: vendas da indústria caem 1,12% em março

Além de retração sobre o mês anterior, relatório da confederação também revela queda no ritmo anual de expansão do setor

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SÃO PAULO – Embora a indústria brasileira ainda se mantenha em ritmo aquecido de produção, as vendas do setor registraram queda no terceiro mês do ano. Na passagem de fevereiro para março, houve redução de 1,12% no volume de comercializações de produtos industriais.

De acordo com o boletim Indicadores Industriais, divulgado nesta quinta-feira (5) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a diminuição das vendas decorre do desaquecimento da demanda interna, causado pelos juros elevados, e da “expressiva valorização do real”, que compromete a rentabilidade das exportações.

Em velocidade menos acelerada

Mesmo a comparação com 2004 já demonstra sinais de arrefecimento da expansão industrial. A pesquisa da CNI revela que as comercializações da indústria em março cresceram apenas 0,71% diante dos números do mesmo mês do ano passado, evolução inferior aos 3,13% observados em fevereiro e muito abaixo das taxas de dois dígitos verificadas anteriormente.

Neste caso, porém, a redução do crescimento é provocada também pela elevação da base comparativa, uma vez que a atividade industrial apresentou franco crescimento ao longo do ano passado.

Já a análise do primeiro trimestre de 2005 demonstra retração de 1,54% nas vendas, em relação aos últimos três meses de 2004. Esta é a terceira queda seguida nesta base comparativa.

Vale destacar que a CNI promove ajustes sazonais em todas as suas comparações.

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Capacidade instalada

Apesar da queda nas vendas do setor, a utilização da capacidade instalada da indústria nacional se mantém nestes primeiros meses do ano em seu nível mais alto desde 1992. Em março, a categoria operou com 82,6% de sua força total.

Além de suscitar comemorações, este número também alerta para a necessidade de investimentos na indústria, o que evitaria o estrangulamento de sua produção e garantiria a manutenção do crescimento de sua atividade.

Segundo o documento divulgado pela CNI, o alto aproveitamento do parque produtivo no início de ano, período tradicionalmente fraco, sinaliza que o investimento em máquinas e equipamentos é tema prioritário para o ano de 2005.

A pesquisa da CNI é realizada mensalmente e se baseia em dados coletados junto a 3.000 grandes e médias empresas instaladas em doze estados do País.