Empréstimos do BNDES caem 2% no primeiro quadrimestre

Banco desembolsou no período R$ 12 bilhões, contra R$ 12,2 bilhões entre janeiro e abril de 2004; aprovações para novos projetos também diminuíram

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SÃO PAULO – Quando Carlos Lessa deixou a presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), no final de 2004, as críticas que mais pesavam sobre sua administração eram a respeito da suposta morosidade na aprovação de projetos, o que comprometia a liberação de recursos da instituição.

Naquele momento, Guido Mantega assumiu o cargo máximo do banco, prometendo agilizar este processo e cumprir o orçamento de R$ 60 bilhões programado para 2005. Contabilizados os resultados do primeiro quadrimestre do ano, no entanto, alguns números sugerem retração, ao invés da anunciada expansão de empréstimos.

Entre janeiro e abril de 2005, o total de desembolsos do BNDES chegou a R$ 12 bilhões, valor 2% inferior aos R$ 12,2 bilhões liberados no mesmo período de 2004, quando o banco ainda estava sob direção de Lessa. As aprovações de projetos, que indicam quais empreendimentos serão financiados no futuro próximo, também registraram queda, somando R$ 10,4 bilhões e caindo 8% diante dos R$ 11,3 bilhões do ano passado.

Até mesmo os empréstimos para exportações foram menores nos quatro primeiros meses de 2005. Neste período, os financiamentos para vendas externas atingiram US$ 1,29 bilhão, valor 16% abaixo do observado em 2004.

Desembolsos devem crescer em 2005

Apesar de alguns indicadores demonstrarem deterioração no desempenho do BNDES, outros números apurados pelo balanço do quadrimestre apontam para uma provável alta nos desembolsos da instituição ao longo dos próximos meses.

Os projetos já enquadrados pelo banco neste ano, por exemplo, somam R$ 24,6 bilhões, o que equivale a um significativo aumento de 30% na comparação com o mesmo período de 2004. Vale dizer que os enquadramentos são as primeiras análises que o BNDES faz de cada proposta de financiamento.

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Esta indicação de futura alta nas aprovações e desembolsos ainda este ano, contudo, não é corroborada pelo resultado referente às cartas-consulta, que representam o contato inicial que os candidatos travam com o banco, imediatamente antes dos enquadramentos. Até abril, as cartas-consulta movimentaram R$ 26,5 bilhões, ficando 6% aquém dos R$ 28,1 bilhões observados no quadrimestre inicial do ano passado.

O BNDES, no entanto, argumenta que esta retração se deve a uma atípica quantidade de cartas-consulta que chegaram ao banco no começo de 2004 com pedidos de empréstimos para exportações. Ou seja: segundo a instituição, a comparação estaria viciada por efeitos sazonais.

Para finalizar, o balanço do BNDES traz uma boa notícia para as micro, pequenas e médias empresas, cujos financiamentos cresceram 8% em relação a 2004, alcançando o montante de R$ 3,9 bilhões, ou 33% do total de desembolsos da instituição até abril.