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SÃO PAULO – A segunda semana de maio foi bastante negativa para o mercado brasileiro, com a abertura do processo de investigação contra o presidente do Banco Central e a possibilidade de nova elevação da Selic na semana que vem. As notícias do cenário externo, com o aumento da aversão ao risco dos investidores, também pressionaram.
Neste contexto, a bolsa brasileira encerrou a semana em forte queda, com o Ibovespa acumulando perdas de 6,65%, enquanto o dólar comercial apresentou leve alta de 0,45%, apesar de ter rompido a barreira psicológica dos R$ 2,45 no início da semana. Os juros futuros apresentaram alta e o risco país recuou.
Cenário interno: processo contra Meirelles pressiona
A semana foi marcada pela determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, de abertura do processo de investigação e de quebra do sigilo fiscal e bancário do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, por acusações de crime contra o sistema financeiro e evasão de divisas.
Com as acusações, aumentam as especulações de que o presidente do BC pode se afastar do cargo antes do final do mandato de Lula, embora os membros do governo insistam na permanência de Meirelles. Nesta sexta-feira, a abertura do processo de investigação contra o ministro da previdência, Romero Jucá, trouxe mais preocupações ao mercado.
No cenário econômico, os índices de preço confundiram o mercado em relação à reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) da próxima semana. Enquanto o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acelerou em abril, o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) caiu quase pela metade e o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) registrou deflação.
Cenário externo: temores cercam hedge funds
No cenário externo, o rebaixamento dos ratings da Ford e da GM ao status de junk pela Standard & Poor´s trouxe preocupações aos investidores quanto ao desempenho dos hedge funds. Na quinta-feira, a Moody´s também rebaixou a classificação de risco dos papéis da Ford, mas a manutenção do Investment Grade acalmou os ânimos.
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O resultado fiscal melhor do que o esperado do governo norte-americano, no entanto, ajudou a conter as perdas durante a semana. O mercado demonstra grande preocupação em relação aos números da administração Bush, dadas as persistentes críticas do presidente do Fed, Alan Greenspan, à fragilidade das contas públicas.
O desempenho da balança comercial e das vendas no varejo norte-americano também aliviou as preocupações. Ainda assim, a confiança do consumidor na economia do país, medida pela Universidade de Michigan, recuou.
Ibovespa recua forte na semana
O dólar comercial encerrou a semana em leve alta de 0,45%, sendo cotado a R$ 2,471 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando a sessão com valorização de 0,16%. Durante a semana, no entanto, a moeda rompeu pela primeira vez a barreira dos R$ 2,45, patamar mais baixo desde maio de 2002.
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No mercado de juros futuros, a tendência foi de alta. O contrato futuro com vencimento em janeiro de 2006, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 19,58% na sexta-feira, frente a uma taxa de 19,46% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 19,60%, pouco acima da taxa de 19,58% da semana anterior.
Finalmente, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em forte queda de 6,65%, sendo cotado a 23.887 pontos. A semana foi marcada pela divulgação de uma série de resultados trimestrais e pela pressão do cenário externo.
Próxima semana: Copom faz quinta reunião em 2005
Na terceira semana de maio, o destaque deve ficar com a quinta reunião do Copom no ano, que decide a nova taxa Selic na quarta-feira. Após a entidade ter diminuído a magnitude dos ajustes em sua última reunião, o mercado espera o fim do ciclo de aperto monetário, mas uma nova elevação de 0,25 ponto percentual não é descartada.
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Nos Estados Unidos, os investidores devem focar as atenções na divulgação dos números da inflação de abril. O PPI, que mede a evolução dos preços ao produtor, sai na terça-feira e o CPI, que trata dos preços ao consumidor, será anunciado na quarta-feira.