Pelo terceiro mês consecutivo, renda fixa lidera rentabilidade

Ouro se recuperou e saiu do posto de pior investimento em maio para o segundo melhor em junho, atrás apenas do CDI

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SÃO PAULO – Confirmando o desempenho dos dois meses anteriores, os investimentos em renda fixa lideraram, em junho, o ranking de rentabilidade entre diversas aplicações. Prejudicando a renda variável, o cenário político foi bastante conturbado, com várias denúncias de corrupção abalando fortemente o desempenho do mercado acionário, e o preço do petróleo atingiu patamares recordes no mercado internacional, ampliando a cautela dos investidores.

No plano econômico, como já era esperado pelo mercado, foi interrompido o ciclo do aperto monetário. O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) manteve a Selic a 19,75% ao ano, em sua última reunião, pois interpretou que a alta do juro dos últimos meses já tem sido suficiente para controlar os preços. A desaceleração da inflação e a deflação, medidas por vários índices corroboraram com essa perspectiva.

Selic a 19,75% ao ano

Assim, depois de nove elevações seguidas da taxa Selic, o colegiado do BC resolveu manter o patamar do juro na reunião de junho, em decisão unânime. O mercado já esperava essa decisão, com base nos números divulgados ao longo do mês. Mas ainda há dúvidas a respeito da trajetória da Selic a partir de agora.

Nos Estados Unidos, a decisão com relação ao juro também não surpreendeu. No último dia do mês, o Fed anunciou uma elevação da taxa básica de 25 pontos base, de 3% para 3,25% ao ano. Além disso, o banco central dos EUA sinalizou a manutenção do gradualismo em sua política monetária.

A economia norte-americana, nesse mês, apresentou desaceleração em vários indicadores. Mas a pior notícia do cenário externo não veio dos Estados Unidos, e sim do comportamento do preço internacional do barril do petróleo. Com o mercado temendo uma demanda acima da oferta para a commodity, o preço em Londres e em Nova York atingiu patamares históricos, acima do patamar de US$ 6o por barril.

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Melhor investimento: renda fixa

Refletindo o elevado patamar da taxa básica de juro, a maior rentabilidade em junho de 2005 foi registrada pelo CDI, que apresentou um ganho de 1,58% no mês, em termos nominais, e de 2,03% em termos reais, descontando-se a deflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) de 0,44% no período.

Outro destaque positivo ficou com o CDB pré 30 dias, cujos ganhos nominais atingiram 1,52% no mês, para um retorno real de 1,96%.

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A Bovespa não conseguiu uma boa rentabilidade, em grande parte em conseqüência do conturbado cenário político, que tende a afastar investidores externos e dificultar a aprovação de reformas pelo Governo. As perdas nominais foram de 0,62% e as reais de 0,18% no mês.

Recuperação do ouro e nova queda do dólar

Depois de ter sido o pior investimento em maio, o ouro na BM&F mostrou melhor desempenho em junho, reagindo à valorização das commodities metálicas. Os ganhos nominais no mês foram de 1,53%, ou 1,98% descontada a deflação.

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Em maio, as perdas nominais tinham sido de 7,65%, o que, em termos reais, representava uma expressiva rentabilidade negativa de 7,45%.

Por outro lado, quem investiu em dólar continuou perdendo dinheiro esse mês. O dólar Ptax perdeu 2,22% em junho, enquanto o dólar paralelo registrou retorno negativo de 0,62% no mesmo período, para uma queda de 1,79% e de 0,18% em termos reais, respectivamente.

Confira a rentabilidade dos principais investimentos na tabela abaixo:

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Investimento Junho Real* Maio Real**
Ibovespa -0,62% -0,18% +1,47% +1,69%
CDI*** +1,58% +2,03% +1,50% +1,72%
CDB **** +1,52% +1,96% +1,50% +1,72%
Poupança +0,76% +1,21% +0,74% +0,96%
Dólar Paralelo -0,62% -0,18% -1,86% -1,64%
Dólar Ptax -2,22% -1,79% -5,04% -4,83%
Ouro +1,53% +1,98% -7,65% -7,45%
IGP-M -0,44% -0,22%

* Deduzida a deflação pelo IGP-M que ficou em 0,44% em junho
** Deduzida a deflação pelo IGP-M que ficou em 0,22% em maio
*** Taxa Efetiva Andima
**** Taxa pré 30 dias