Japão deve mobilizar força de trabalho inativa, diz OCDE

Atrair estrangeiros quando desemprego jovem é tão alto não é saída; OCDE recomenda uso mais eficiente de idosos, mulheres e jovens

Publicidade

SÃO PAULO – Diante da queda da taxa de natalidade e do envelhecimento da população, o governo japonês deixou claro que está estudando medidas com o intuito de impedir uma redução significativa na força de trabalho do País.

Além de facilitar o uso de mão-de-obra estrangeira, o governo também estuda medidas que permitam a permanência no mercado de trabalho das mulheres que tiverem filhos.

Porém, na visão do chefe da divisão de análise de emprego da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico), Raymond Torres, o governo precisa acelerar algumas destas medidas, de forma a garantir um uso mais eficiente do que ele considera mão-de-obra inativa.

Desemprego jovem é alto

O objetivo, como defende Torres, é atrair um número maior de mulheres, idosos e jovens a entrar no mercado de trabalho. Para o representante da OCDE, somente se a mobilização desta mão-de-obra inativa se mostrar insuficiente para atender as necessidades da economia japonesa, é que o governo deve tomar medidas no sentido de atrair trabalhadores estrangeiros.

Afinal, lembra Torres, a população não receberia bem o uso de mão-de-obra estrangeira no lugar, quando o desemprego entre jovens ainda é alto. O analista lembra que, apesar da taxa nacional de desemprego ter atingido seu nível mais baixo em seis anos no mês de maio, 4,4%, entre a população de 15 a 24 anos ela é bem maior, de 10,7%.

Boa parte destes jovens não está estudando ou procurando emprego, e cabe ao governo motivá-los e oferecer condições para que consigam a capacitação necessária para obter uma colocação no mercado de trabalho.

Continua depois da publicidade

Uso da poupança compromete crescimento

A participação das mulheres no mercado de trabalho também é tida como baixa. O uso desta parcela da população, juntamente com trabalhadores idosos, que adiariam por alguns anos sua aposentadoria, deve ser suficiente para atender a necessidade de mão-de-obra do Japão por três décadas, o que contribuiria para o crescimento econômico.

Por outro lado, Torres alerta que se o Japão deixar sua mão-de-obra diminuir 0,5% ao ano, sem um aumento equivalente da produtividade dos trabalhadores na ativa, então certamente o crescimento econômico acabará comprometido, não devendo superar os 0,5% ao ano.

As afirmações do representante da OCDE acontecem em um momento no qual o aumento da população idosa já começa a ser sentido na poupança do país. Poupança esta que foi responsável pelo crescimento do Japão após a segunda guerra mundial e permitiu que o mesmo se transformasse na segunda maior economia do mundo.