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SÃO PAULO – A primeira semana de julho foi bastante negativa para o mercado brasileiro, com o clima ainda quente em Brasília pelo desenrolar das investigações da CPI dos Correios e das negociações para a reforma ministerial. No cenário externo, os atentados em Londres e, mais uma vez, o preço do petróleo centraram as atenções.
Neste contexto, o Ibovespa encerrou a semana em forte queda de 3,51%, acumulando cinco sessões consecutivas de baixa no início da semana. O dólar comercial, por sua vez, apresentou leve valorização de 0,85%, assim como os juros futuros.
Cenário interno: Brasília segue em foco
Mais uma vez, a semana foi marcada pela instabilidade do cenário político, com as investigações sobre os esquemas de corrupção no Congresso e nas estatais tomando conta do noticiário. Na CPI dos Correios, o publicitário Marcos Valério e sua ex-secretária, Fernanda Karina Somaggio, prestaram depoimentos, mas não trouxeram grandes novidades.
Em outro front, o presidente Lula segue negociando as bases de sua reforma ministerial com os partidos da base aliada. O Planalto já anunciou três nomes do PMDB em ministério de peso, mas os especialistas acreditam que o PT deve perder ainda mais espaço no governo. Com relação ao projeto de déficit nominal zero, encampado pelo ministro Antonio Palocci, apesar do apoio de vários setores da oposição, este encontra resistências dentro do próprio PT.
No plano econômico, as boas notícias não foram suficientes para elevar o ânimo do mercado. O anúncio de uma série de índices de preços, entre eles o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e o IGP-DI (Índice Geral de Preços- Disponibilidade Interna), confirmaram a tendência de deflação dos preços no mercado interno. A balança comercial, por sua vez, seguiu mostrando bom desempenho e aumentou a expectativa de um novo recorde ao final do ano.
Cenário externo: terrorismo volta à pauta
No cenário externo, os atentados em Londres reacenderam os temores em relação ao terrorismo internacional e desviaram o foco da reunião do G8, grupo dos 7 países mais ricos do mundo mais a Rússia. A pauta deste ano, mais do que nunca, estava concentrada em medidas de ajuda aos países subdesenvolvidos, em especial à África, mas, após os atentados, se dirigiu a assuntos ligados à ameaça terrorista.
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Nos Estados Unidos, a alta volatilidade dos preços do petróleo, que atingiu novo recorde durante a semana, mas chegou a recuar US$ 4 após os atentados, seguiu preocupando os investidores. O Relatório do Emprego, por sua vez, animou, registrando a menor taxa de desemprego no país em quase quatro anos.
Ibovespa fecha semana em queda
O dólar comercial encerrou a semana em alta de 0,85%, sendo cotado a R$ 2,3750 no fechamento desta sexta-feira, quando acabou encerrando com desvalorização de 0,13%. O bom desempenho da balança comercial e a forte entrada de recursos foram mais do que compensados pela crise política.
No mercado de juros futuros, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2007, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,59% na sexta-feira, frente a uma taxa de 17,41% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 19,72%, pouco abaixo da taxa de 19,76% da semana anterior.
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Finalmente, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em forte queda de 3,51%, sendo cotado a 24.423 pontos. O nervosismo no cenário político não permitiu que os investidores se beneficiassem das boas notícias econômicas durante a semana.
CPI e PPI saem nos EUA
A segunda semana de julho será de poucos indicadores no cenário doméstico, com destaque para a divulgação da Pesquisa Mensal do Comércio, que traça um panorama do setor varejista brasileiro, e da Pesquisa Industrial de Emprego e Salário, que mostra a situação do mercado de trabalho nacional. Ambas as pesquisas se referem a maio e são realizadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
No cenário externo, as atenções dos investidores devem se concentrar no anúncio dos índices de preços ao consumidor e ao produtor, o CPI e o PPI. Os indicadores referem-se ao mês de junho e serão divulgados na quinta-feira e na sexta-feira, respectivamente.