Comentário da Semana: estrangeiros estendem o bom momento do mercado

Semana que deveria ser decisiva não trouxe novidades e mercado segue otimista com os dados da economia

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SÃO PAULO – A primeira semana de agosto foi positiva para o mercado brasileiro, com os efeitos da crise política ainda ausentes da economia. O fluxo positivo de capitais estrangeiros também colaborou com o bom desempenho. No cenário externo, o petróleo voltou a chamar a atenção e o crescimento norte-americano segue consistente.

Neste contexto, a bolsa brasileira encerrou a semana em alta de 1,83%, enquanto o dólar comercial apresentou forte queda de 2,90% e atingiu sua menor cotação desde abril de 2002. Já os juros futuros encerraram a semana em queda.

Cenário interno: nada definido

A semana, que tinha tudo para ser decisiva com o enfrentamento entre os deputados José Dirceu e Roberto Jefferson na Comissão de Ética da Câmara e o depoimento do segundo à CPI do “mensalão”, chegou ao final marcada pela descrença do mercado de que a crise em Brasília possa mesmo afetar os rumos da economia.

De novidade, só a renúncia do deputado Waldemar Costa Neto, presidente do PL, que trouxe ao mercado a expectativa de que outros parlamentares envolvidos no escândalo do “mensalão” pudessem deixar seus cargos durante a semana, fato que não se concretizou. O mercado espera agora possíveis denúncias nas revistas semanais, que podem abrir novas frentes de investigação nas CPI´s.

Vale destacar que o fluxo de capitais estrangeiros também desempenha um papel importante na manutenção do otimismo no mercado brasileiro. As condições favoráveis de liquidez no mercado internacional elevam a procura pelos papéis de países emergentes, como o Brasil. A declaração do secretário do Tesouro norte-americano, John Snow, de que a economia brasileira se tornou um exemplo brilhante de performance econômica também contribuiu para a melhora da percepção em relação ao risco-Brasil.

No cenário econômico, o saldo positivo da balança comercial registrado em junho foi o maior de toda a série histórica, acima dos US$ 5 bilhões. Os dados indicam que nem mesmo a insistente valorização do real têm sido capaz de reduzir o impulso do cenário externo à economia. Nesse sentido, a produção industrial brasileira mostrou crescimento pelo quarto mês consecutivo em junho, segundo levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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Cenário externo: petróleo bate recorde

No cenário externo, o petróleo voltou a preocupar no início da semana, atingindo novo recorde nas bolsas internacionais, acima de US$ 62 por barril. A morte do rei Fahd da Arábia Saudita trouxe o temor de que o período de sucessão possa ser propício à realização de atentados contra as instalações petrolíferas. Além disso, tensões relacionadas às ambições nucleares do Irã e possíveis cortes de produção em refinarias dos Estados Unidos influenciaram o mercado da commodity.

Nos Estados Unidos, o Relatório do Emprego, que traça um panorama detalhado do mercado de trabalho, revelou que a economia norte-americana continua crescendo em ritmo razoável, fato que não afeta a expectativa de manutenção da política gradualista de aumento do juro no país, na reunião do Fed que será realizada na próxima semana.

Dólar atinge menor patamar desde 2002

O dólar comercial encerrou a semana em queda de 2,90%, sendo cotado a R$ 2,310 no fechamento desta sexta-feira, quando acabou encerrando com valorização de 0,22%. O Banco Central mediu fluxo cambial positivo em junho, beneficiando a queda da moeda, que atingiu o menor patamar desde 2002 durante a semana.

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No mercado de juros futuros, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2007, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,68% na sexta-feira, frente a uma taxa de 17,94% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 19,70%, estável em relação à semana anterior.

Finalmente, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em alta de 1,83%, sendo cotado a 26.518 pontos. O índice foi impulsionado pelos bons resultados do cenário corporativo e pelo fluxo positivo de capitais estrangeiros.

Próxima semana terá o IPCA

Na segunda semana de agosto, o destaque no cenário doméstico deve ficar com a divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que acontece na terça-feira. O desempenho do indicador trará pistas em relação ao início das quedas da taxa Selic.

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Nos Estados Unidos, a reunião do Federal Reserve deve dar o tom da semana. Os analistas esperam que o colegiado decida pela elevação de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros do país na terça-feira.