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Os preços do mercado carregam valor informacional. Nem sempre isso é verdade, especialmente em momentos erráticos, mas, em grande parte, é aplicável. Atualmente, aqui no Brasil, temos algumas conclusões para retirar dos números que piscam em nossas telas.
A bolsa hoje “precifica” algo como 85% de chance de uma reeleição do presidente Lula, também é verdade quando analisamos a situação dos títulos públicos. Acho que isso evidencia o ambiente raro que vivemos.
Eu explico…
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Caso tenhamos um “Lula 4”, podemos pensar que teremos mais 6 anos (metade desse mandato nessa conta) dessa gestão – com poucos sinais de foco na agenda fiscal e alguma falta de credibilidade.
Devemos seguir numa agenda de deterioração, como indicado por todos os gestores que deram entrevistas recentemente. Seria o possível “low” de Brasil – em bom português (e não nos jargões toscos do mercado), o ponto em que os ativos locais atingem seu patamar mais profundo de depreciação.
Seria um momento difícil para o mercado. Com juros ainda mais altos, com a indústria de gestão de recursos diminuindo ainda mais, teríamos mais consolidação e muitas gestoras fechariam suas portas. O número de recuperações judiciais seria ainda maior, os gestores que sobreviverem provavelmente internacionalizariam seus recursos.
O outro lado da moeda: suponha que tenhamos uma mudança de ciclo político. Com isso, teríamos uma descompressão de prêmio de risco relevante. Existe espaço razoável de apreciação da bolsa, e, inclusive, dos papéis do Tesouro Nacional – um verdadeiro “bull market”. Ou, como gosto de dizer, “porrada maluca”.
Ambos os cenários são nada óbvios agora. Talvez o que podemos ter maior clareza é que, com toda a certeza, a chance de reeleição não é próxima de 80%. Deveria ser algo como 50%, em grandes números. Ou seja, só com esse ajuste, já deveríamos assistir a uma reprecificação dos ativos locais.
Enquanto isso, informações quentinhas chegam das mesas institucionais para dizer que os gestores de ações começaram marginalmente a rotacionar suas carteiras, trocar parte das posições mais defensivas por algumas teses mais “largadas” na bolsa. Essa é uma boa síntese do que se passa em minha mente. Vamos ver o que mais eu, o Sr. Mercado, direi pelos preços daqui em diante.